Covid-19: vírus hobbesiano

A grande obra de Thomas Hobbes (1588-1679), Leviathan, foi publicada em 1651. Nela, o pensador inglês introduz
a lógica do estado de natureza, uma condição hipotética em que não há poder comum para controlar os indivíduos, nem lei, nem a coação da lei. Nesse mundo hipotético, haveria uma tensão entre o desejo de preservar a liberdade, vantajosa no estado de natureza, e o medo da violência e da guerra, que, logicamente, o próprio estado de liberdade absoluta e de completa igualdade produz.

O homem civilizado queria sair dessa condição, mas, ao mesmo tempo, desejava preservar os direitos que lhe eram dados no estado de natureza, particularmente a liberdade para usar o próprio poder como quisesse. Segundo Hobbes, foi a transformação do estado de natureza em sociedade civil, expressa num Estado soberano por meio de contrato, que fez surgir neste mundo qualquer forma de sociedade.

Hoje, não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro, vivemos uma situação real de tensão entre duas concepções. Uma, mais preocupada com os impactos econômicos causados pela pandemia do novo coronavírus, que pode ser a lógica do estado de natureza, onde é cada um por si, todos voltam ao trabalho e retomam suas vidas; outra, que defende o isolamento social, que nos priva dos contatos presenciais e limita nossa liberdade de ir e vir, com o propósito maior de proteger uns aos outros e salvar vidas.

A diferença entre o modelo de Hobbes e o que temos hoje é que aquela situação por ele descrita era hipotética. Já o dilema que muitas nações enfrentam agora é real. Além disso, já temos um Estado constituído, ao contrário do estado de natureza hobbesiano. E como se não bastasse ter que enfrentar o medo da contaminação e todas as outras consequências nefastas da pandemia, a população assiste, atônita, às lideranças políticas se perderem em disputas políticas, contestando, sem conhecimento, conclusões científicas.

A lentidão com que tantas lideranças políticas têm enfrentado a pandemia vem acentuando críticas aos regimes democráticos. Sondagem realizada em fevereiro pelo Centro de Pesquisas Políticas (Cevipof), quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia definido essa epidemia como uma “emergência de saúde pública de âmbito internacional”, 41% dos franceses concordaram que “na democracia nada avança; seria melhor menos democracia e mais eficácia”.

+ Menina engasga ao comer máscara dentro de nugget do McDonald’s

Entre tantas responsabilidades e desafios que as autoridades enfrentam, está o de agir no sentido de preservar o estado democrático. Nessa linha, vale lembrar a frase de Winston Churchill: “A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”.

Os políticos não estão preparados para enfrentar a pandemia. Colocam as disputas políticas acima das conclusões científicas

Veja também

+ Caixa libera FGTS emergencial para nascidos em julho nesta segunda-feira (10)

+ A Fazenda: influenciadora digital Marina Ferrari é confirma na lista de participantes

+ Filhos de Luciano Huck esquecem o texto em homenagem ao pai

+ Avaliação: Chevrolet S10 2021 evoluiu mais do que parece

+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea

+ Grosseria de jurados do MasterChef Brasil é alvo de críticas

+ Carol Nakamura anuncia terceira prótese: ‘Senti falta de seios maiores’

+ Ex-Ken humano, Jéssica Alves exibe visual e web critica: ‘Tá deformada’

+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados

+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020

+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2020 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.