Thibaut Courtois foi mais uma vez um dos grandes protagonistas do Real Madrid em uma decisão de liga dos Campeões. Assim como em 2022, quando foi eleito o melhor em campo na vitória sobre o Liverpool, em Paris, o goleiro belga brilhou neste sábado em Wembley, na vitória por 2 a 0 sobre o Borussia Dortmund. O título não só reforça a fama de um dos melhores do mundo, mas também marca uma superação pessoal.

Em uma temporada na qual superou uma lesão que o tirou de campo por sete meses, antes de se lesionar novamente em março, o goleiro belga só fez cinco partidas em 2023/2024. Quis o destino que a quinta fosse no jogo do título, com defesas milagrosos, cenário possível apenas porque Lunin, o titular até então, ficou gripado.

No primeiro tempo deste sábado, Courtois foi essencial para manter o Real Madrid na partida. O Borussia Dortmund criou várias oportunidades claras de gol, mas o goleiro belga estava em uma noite inspirada e fez pelo menos três defesas cruciais. Sua atuação segura e decisiva deu confiança ao time para crescer e dominar o segundo tempo, culminando nos gols de Carvajal e Vinicius Júnior. Na etapa final, quando o jogo ainda estava empatado, ele ainda salvou uma bola de cabeça.

A performance brilhante de Courtois em finais de Liga dos Campeões já se tornou uma marca registrada. Em 2022, na vitória por 1 a 0 sobre o Liverpool, ele foi eleito o melhor em campo após realizar nove defesas decisivas. Naquela ocasião, Courtois impediu inúmeras tentativas do ataque do Liverpool, e principalmente de Mohamed Salah, permitindo que o gol solitário do brasileiro fosse suficiente para garantir o título.

A conquista deste ano marca uma reviravolta pessoal significativa para Courtois, já que a temporada 2023/24 foi desafiadora para o goleiro. Em agosto de 2023, ele sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, o que já o afastaria dos gramados por um longo período. Durante seu processo de recuperação, em março deste ano, Courtois sofreu outra lesão séria, desta vez no menisco do joelho direito, durante um treino em Valdebebas. A nova lesão adiou ainda mais seu retorno, o que levou muitos a duvidarem de sua participação no restante da temporada.

Com as lesões, o Real Madrid teve que se adaptar e contou com ótimos desempenhos de Andriy Lunin, que virou desfalque na decisão após sofrer com uma forte gripe. Courtois voltou no mês passado e fez apenas quatro jogos, o último ainda saindo do banco de reservas, para fazer história em Wembley.

Apesar de tudo isso, e de ser considerado um dos melhores goleiros do mundo, Courtois não estará na Euro 2024. Mesmo tendo se recuperado fisicamente, ele enfrenta problemas de relacionamento com o treinador da seleção belga, Domenico Tedesco, o que resultou em sua ausência no torneio continental.

A atuação brilhante de Thibaut Courtois será lembrada por muito tempo pelos torcedores do Real Madrid. Ele não apenas ajudou a garantir mais um título para o clube, mas também solidificou seu legado como um dos maiores goleiros da história merengue.

CARREIRA E POLÊMICAS

Além de suas atuações heroicas em campo, Courtois já foi protagonista de polêmicas fora dele, especialmente em assuntos envolvendo a seleção belga. Um dos principais jogadores de sua posição, o goleiro foi revelado pelo Genk, da Bélgica, em 2009. Dois anos depois, após conquistar o Campeonato Belga, foi comprado pelo Chelsea por pouco mais de 8 milhões de euros.

Desde então, teve passagens pelo Atlético de Madrid e Real Madrid. No clube merengue, se consolidou como um dos principais goleiros da atualidade e conquistou a Liga dos Campeões na temporada 2021/2022, inclusive sendo eleito o melhor jogador da final contra o Liverpool. Na seleção belga, no entanto, passou por alguns conflitos ao longo de seu período como titular.

Além da disputa pela faixa de capitão neste ano, que culminou em uma instabilidade no elenco, Courtois se envolveu em polêmica com De Bruyne. Os jogadores se conheceram na passagem pelo Chelsea, no início da última década, mas passaram por desentendimentos desde então. Caroline Lijnen, então parceira do meia, viajou para Madri com alguns amigos e se envolveu com o goleiro.

A situação gerou um desconforto no elenco da seleção belga desde então, que teve a melhor geração de talentos de sua história na última década. No Mundial de 2022, Roberto Martínez, então treinador da equipe, Hazard e o próprio Courtois tentaram amenizar os rumores sobre conflitos no elenco.

No meio de 2023, Courtois perdeu braçadeira de capitão para o companheiro Romelu Lukaku em contra a Estônia, pelas Eliminatórias da Eurocopa., deixou o grupo e e não foi para o jogo. Na época, o técnico Domenico Tedesco mostrou-se surpreso com a postura do experiente jogador.

“Não esperava que algo assim acontecesse. Em março, decidimos que Kevin (De Bruyne) seria o capitão e que haveria dois vice-capitães: Lukaku e Courtois. Vários outros jogadores eram elegíveis, como Vertonghen e Carrasco, mas se formou essa dupla”, revelou. “Como Kevin não estava lá agora, conversei com eles antes do jogo, com calma e sem contradições. Para o jogo com a Áustria foi Lukaku, então na Estônia, a tarja ficaria com Courtois”, afirmou, sem entender o estresse e a precipitação do goleiro.

Após a fala do treinador, Courtois se posicionou nas suas redes sociais sobre o que aconteceu. “Pedi a ele (Domenico Tedesco), não para benefício direto, que explicasse e tomasse decisões para evitar situações que no passado nos prejudicaram, sempre buscando o benefício geral”, afirmou o goleiro.

“Ser ou não capitão da seleção não é um capricho nem uma decisão aleatória, deve ser uma decisão dele e foi isso que tentei transmitir a ele. Infelizmente, não alcancei meu objetivo. Estou profundamente desapontado com isso, mas quero deixar claro que as avaliações do treinador não condizem com a realidade.”