Cottagecore e a tendência escapista das viagens

Cottagecore e a tendência escapista das viagens

Há alguns dias, em uma discussão entre amigos sobre o escapismo, dissertávamos sobre a sua importância e sobre o quanto já não se trata mais de um luxo, e sim de uma urgência mental ou de um alívio à falta de ar da sensação de confinamento que vivemos esses anos atrás. E no meio da conversa,  um dos amigos lançou o termo  “Cottagecore“. 

Até então, esse assunto tão falado e repetido por aqui (principalmente no pós-pandemia) não tinha um termo específico além do clássico slow travel. A palavra “escapismo” mesmo, é uma forma ambígua de tratar a busca pelo tempo na natureza. Porque parte da sociedade ainda interpreta essa fuga como procrastinação da rotina (desequilibrada) de trabalho sem fim, da hiper ocupação, romantizando a ideia de que o excesso de trabalho é “cool”. E não é.


Obrigada geração Z pela ajuda. Sabe-se lá o ano exato (estima-se que apareceu há 3 anos), o termo Cottage em inglês significa cabana ou chalé e busca uma retomada ao mundo rural e o contato mais direto com a natureza. Prova disso são as milhares de cabanas, chalés, domos, casas na árvore, trailers e motorhomes que surgiram nos destinos mais remotos para locação. Pequenos, confortáveis e simples. As fotos com a caneca de café matinais, slow-motions de vento em árvores, pôr do sol, nascer do sol, pássaros, flare… e por aí vai.

Existe uma relação simbiótica entre a moda cottagecore (sim, existe um estilo de se vestir para o tema) e o lifestyle. Por exemplo, David Beckham, que se filmou no YouTube construindo uma casa de madeira no campo (com um imoderado decote em V), e Kanye West, que mostra sua (bucólica) vida em um rancho rural.

Aliás, o Tumblr relata que viu um aumento gigante nas postagens da “cottagecore” desde Março, acumulando mais de 252 milhões de visualizações no famoso TikTok. 

O nome é novo, mas, como disse, o conceito não. Ele vem e vai de épocas em épocas. No Arcadismo por exemplo (século XVIII) se pautou em grande medida nas ideias do poeta romano Horácio: fugere urbem (fugir da cidade) e carpe diem (aproveitar o dia).

Os hotéis e casas para alugar já sacaram a tendência, claro. Quartos isolados com paredes de vidro e muito verde. Aliás, plataformas como Airbnb e Booking divulgaram uma pesquisa com aumento de 150% no perfil das casas “cottagecore”.

Nesse sentido, o cottagecore busca a retomada da vida tranquila e uma tendência de grande preocupação com o meio ambiente, aquisição de bens duráveis, redução dos gastos financeiros, entre outros temas relacionados. Sendo assim, uma das premissas desse movimento é a sustentabilidade. Já sabemos que as pessoas, cada vez mais, procuram e dão prioridade para destinos e hotéis que seguem premissas sustentáveis (obrigada geração Z de novo!). 

Outro termo, digamos assim, mais Millenial e com significado mais amplo seria o alemão “fernweh” e “wanderlust”. Mas até aí, tem valores mais ligados à alma viajante e a busca por lugares desconhecidos. Mais no estilo “Navegar é preciso”, porém que não exclui a percepção do escapismo como uma necessidade, não necessariamente para a natureza, embora seja sempre em ambientes naturais que somos tocados com o verdadeiro sentido das coisas, fato. 

Enfim, independente se é escapismo, cottagecore, wanderlust ou fernweh: A ideia de buscar destinos de natureza é uma atitude que nos liberta da rotina desgastante da cidade. E não só para períodos de férias. Como uma fuga para a saúde mesmo. É preciso encarar e experimentar sem medo e culpa, e podem ser pequenas, mas necessárias.

Aproveito para deixar aqui alguns links de artigos passados sobre destinos de fugas, cabanas e natureza para você agendar a sua próxima.

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Sobre o autor

Flavia Vitorino é jornalista e turismóloga especialista em destinos e viagens de natureza. Diretora de conteúdo do aplicativo LYFX e agente de viagens pela GO Escape.


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