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Costa Rica recebe fórum para preparar agenda contra mudanças climáticas

Costa Rica recebe fórum para preparar agenda contra mudanças climáticas

Um ativista contra a mudança climática do grupo Extinction Rebellion em um protesto na Trafalgar Square, no centro de Londres, em 7 de outubro de 2019 - AFP

Delegados de todas as regiões do mundo e organizações sociais e juvenis se reunirão a partir desta terça-feira (7) na Costa Rica para discutir a agenda global de combate ao “desastre” ambiental que as mudanças climáticas representam.

Cerca de 1.500 pessoas, incluindo 25 ministros do Meio Ambiente da África, América e Europa, têm previsto participar de três dias de discussões nos arredores da capital, em um encontro anterior à 25° Conferência das Partes (COP25) da ONU contra a mudança climática, que será realizada em dezembro no Chile.

“O que vamos ter é um evento para falar de implementação de ações climáticas”, explicou o ministro costa-riquenho do Meio Ambiente, Carlos Manuel Rodríguez, sobre o encontro que ocorrerá até quinta-feira no Centro Nacional de Convenções.

“Vemos a Pré-COP como a grande oportunidade para tocar a implementação, em uma atividade aberta a todos os atores políticos e sociais do mundo da mudança climática”, acrescentou.

A reunião será realizada em um momento em que acabaram de começar duas semanas de protestos em cerca de 60 cidades – entre elas Madri, Buenos Aires, México, Rio e Bogotá – contra a inação ante o aquecimento, convocadas a partir desta segunda sob o slogan “Rebelião Internacional” e avalizadas pela ativista Greta Thunberg.

O ministro explicou que as deliberações da chamada Pré-COP girarão em torno de três grandes temas, que considerou importantes para a América Latina apesar de que tiveram pouca relevância nas negociações para frear o aquecimento global.

O primeiro deles é a busca por soluções baseadas na natureza, ou seja, o uso da natureza “como um meio custo/eficiente para mitigar a mudança climática”.

Segundo o ministro, 30% dos problemas climáticos podem ser resolvidos com a natureza, como a proteção de 4 bilhões de hectares de ecossistemas e a restauração de uma extensão similar que foi degradada, mas este esforço recebe só 3% dos fundos globais de mitigação e adaptação à mudança climática.

O segundo tema é o papel dos oceanos na solução dos problemas climáticos, e o último é mobilidade e cidades sustentáveis.

– Avanços e retrocessos –

A Pré-COP é realizada pouco depois de que o secretário-geral da ONU, António Guterres, reuniu em setembro passado líderes mundiais em Nova York para alertar sobre a necessidade de intensificar os esforços para evitar um “desastre” ecológico pelo aquecimento global.

No entanto, a ausência de governantes de países de grande peso na agenda climática, como Estados Unidos e Brasil, evidenciou a perda de relevância desta agenda, que surgiu com força após o Acordo de Paris, de 2015.

Nesse pacto, mais de 190 países se puseram de acordo para reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO2), principal causador do aquecimento global, e apresentar planos para alcançar essa meta.

No entanto, Rodríguez recordou que apenas sete países apresentaram tais planos, sendo a Costa Rica um deles.

“Os governantes dos países não reconheceram que temos uma crise climática”, reclamou o ministro costa-riquenho. “Nos últimos 40 anos perdemos 60% das espécies de flora e fauna”.

Chile e Costa Rica dividiram as sedes da COP25 e a reunião prévia depois de que Brasil desistiu de organizar os encontros, no fim da conferência de 2018, realizada na Polônia, porque estava em uma transição política com a vitória eleitoral do atual presidente Jair Bolsonaro, um cético da mudança climática.

É a primeira vez que a COP e a Pré-COP são realizadas em países diferentes.

Segundo Rodríguez, os países participantes devem reconhecer a necessidade de mobilizar recursos internos para atender a agenda climática, sem esperar a ajuda internacional.

“No Acordo de Paris os países entenderam que é do nosso próprio interesse nos comprometermos com ações de mitigação (da mudança climática). O próximo passo é entender que temos de mobilizar recursos domésticos”, afirmou o ministro.