Cultura

Corte suspende empréstimo do ‘Homem Vitruviano’ ao Louvre

ROMA, 08 OUT (ANSA) – O Tribunal Administrativo Regional (TAR) do Lazio, região do centro da Itália onde fica a capital Roma, suspendeu nesta terça-feira (8) o empréstimo do “Homem Vitruviano”, célebre desenho de Leonardo da Vinci (1452-1519), ao Museu do Louvre, em Paris, que pretende exibi-lo em uma grande mostra sobre o gênio renascentista marcada para começar em 24 de outubro.   

A decisão tem caráter liminar e acolhe um pedido da associação Italia Nostra, que defende a tutela do patrimônio histórico, artístico e natural do país. O TAR, órgão da Justiça Administrativa italiana, agendou o julgamento do caso para 16 de outubro.   

O recurso da Italia Nostra se baseia em um artigo do Código dos Bens Culturais que impede que itens que constituem a parte principal de uma determinada seção de um museu, arquivo ou biblioteca saiam do território nacional.   

Além disso, aponta que relatórios técnicos desaconselharam o empréstimo do “Homem Vitruviano”, que é bastante frágil, ao Louvre. O desenho fica nas Galerias da Academia, em Veneza, e seria concedido ao mais famoso museu de Paris por dois meses.   

Ele seria um dos destaques da exposição que homenageará Leonardo nos 500 anos de sua morte. O empréstimo começara a ser negociado no governo de Paolo Gentiloni (2016-2018), mas as conversas foram travadas após a chegada da ultranacionalista Liga e do populista Movimento 5 Estrelas (M5S) ao poder.   

Com a troca de governo na Itália, em setembro, o centro-esquerdista Partido Democrático (PD), legenda de Gentiloni, reassumiu o Ministério dos Bens Culturais e autorizou o empréstimo. Como contrapartida, a França cederia quadros de Rafael para uma grande exposição sobre o mestre programada para 2020.   

O “Homem Vitruviano” é uma das obras mais famosas de Leonardo da Vinci e representa as proporções matemáticas do corpo humano dentro de um quadrado e um círculo. Seu nome se refere ao arquiteto romano Vitrúvio (80-15 a.C.), que havia descrito esses padrões em um tratado chamado “De Architectura”. (ANSA)