PANDEMIA * 2020

Corrente do bem

A sociedade se une com o objetivo de proteger idosos, crianças e até pequenos empreendedores para reduzir os riscos do avanço da infecção e do aprofundamento da crise econômica

Corrente do bem

Em meio da crise, a solidariedade sempre se manifesta. Na última semana, quando a situação começou a piorar e o número de infectados pelo coronavírus passou a crescer exponencialmente, o síndico do condomínio residencial Santa Teresa, Jean Escribano, resolveu decretar a quarentena nas seis torres, com 210 apartamentos habitados por mais de 700 pessoas no Jardim Santa Emília, na zona sul da cidade de São Paulo. “Fechei quadras, playground e todas as áreas comuns do condomínio porque a situação ficou mais grave. Agora, estamos nos revezando nas compras para os idosos, assim eles não precisam sair de casa”, explica. Escribano também colocou dispensers de álcool gel nos corredores e impediu a circulação de crianças pelas áreas comuns. “A situação estava ficando crítica e a molecada achava que estava de férias. Tive que tocar todo mundo de volta aos apartamentos. Coloquei os porteiros mais idosos em férias e até eu estou assumindo a portaria do condomínio. Tudo para impedir a contaminação dos moradores”, disse.

Escribano é apenas mais um dos heróis anônimos que começaram a aparecer na sociedade, espalhando boas ações e criando uma corrente do bem por quase todos os prédios paulistanos. Moradora de um condomínio de duas torres no bairro do Sumarezinho, Sarah Bomtempo, de 27 anos, também se prontificou nas compras para seus vizinhos idosos. “Estamos tentando mantê-los longe das ruas por proteção”, diz ela. Já a psicóloga Valeska Bassan ficou preocupada justamente com esse isolamento involuntário e há uma semana começou a ajudar pessoas com problemas de ansiedade e depressão, cujas patogogias podem se acentuar nesses momentos. “Trabalho há muito tempo com pacientes porque sei o impacto que o isolamento pode ter em muita gente. Além disso, muitos não têm dinheiro e nunca procuraram esse tipo de tratamento”, diz ela. O atendimento de Valeska compreende dois contatos por videoconferência para falar exclusivamente sobre o problema da quarentena, atividade conhecida como “plantão psicológico”: “a pessoa pode colocar todos os seus medos em relação ao isolamento e à contaminação e vamos ajudando na medida do possível”.

Celebridades também estão demonstrando sua generosidade em meio à pandemia. É o caso da apresentadora de TV Xuxa Meneghel, que doou R$ 1 milhão para o Sistema Único de Saúde (SUS). Ela se uniu a uma marca de cosméticos e fez outra doação de 300 mil sabonetes para comunidades carentes de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Conexão regional

Já prevendo a crise econômica que virá depois da pandemia, afetando não só as grandes empresas, mas, principalmente, os pequenos empresários, um grupo de empreendedores resolveu criar a toque de caixa um marketplace para conectar consumidores a pequenos produtores e comerciantes regionais e, assim, permitir que muitos deles consigam sobreviver. Segundo um dos idealizadores, Wesley Barbosa, as grandes empresas terão acesso a saídas mais rápidas, mas os pequenos terão maior dificuldade. “Onde moro tentei encontrar pequenos produtores, mas não foi fácil”, explica Barbosa, ex-executivo do Facebook. “Paralelamente, vimos que muitas escolas de negócios abriram cursos gratuitos, mas esses empresários nem sabem como chegar a isso e a maioria tem pouca formação. Por isso, criamos o portal onde ele pode oferecer seus produtos, mas incluímos pequenas aulas obrigatórias”.

Nas aulas rápidas, os micro e pequenos empreendedores terão acesso a informações sobre higienização, delivery, utilização de ferramentas como WhatsApp para atendimento, gestão de crise e como melhorar seu sistema imunológico. Desde que foi lançado, na segunda-feira 23, o portal www.ajudeopequeno.com.br já contabiliza mil cadastros e a expectativa é de um crescimento de 10% a 15% ao dia. “Já formalizamos a ONG, contando com 200 pessoas envolvidas e estamos recebendo contato de interessados, tanto em investidores como em parcerias”, afirma Barbosa, acrescentando que 15 influencers digitais vão divulgar a plataforma. “O interesse em ajudar é tanto que plataformas de delivery como Ifood e o Rappi já incluíram pequenos fornecedores na sua lista de ofertas”, diz.

Veja também

+ Jovem morre após queda de 50 metros durante prática de Slackline Highline
+ Conheça o phloeodes diabolicus "o besouro indestrutível"
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Mulher finge ser agente do FBI para conseguir comida grátis e vai presa
+ Cirurgia íntima: quanto custa e como funciona
+ MasterChef: Fogaça compara prato com comida de cachorro
+ Zona Azul digital em SP muda dia 16; veja como fica
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz
+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Descoberta oficina de cobre de 6.500 anos no deserto em Israel