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Corpo do fundador do Sendero Luminoso é pedra no sapato do governo do Peru

Corpo do fundador do Sendero Luminoso é pedra no sapato do governo do Peru

O líder do Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, esgotou seu último recurso em 15 de outubro de 1992 em Lima, após um tribunal militar não revogar sua sentença de prisão perpétua - AFP/Arquivos


O governo de esquerda peruano evitava nesta quinta-feira (16) decidir o destino do corpo do líder da guerrilha maoísta Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, sob o argumento de que o Ministério Público e o Congresso devem decidir o que fazer com o cadáver, que está no necrotério desde sábado.

O chefe do governo Guido Bellido negou à imprensa versões que afirmam que o gabinete ministerial votou na quarta-feira contra um projeto de lei do Executivo para cremar e jogar as cinzas de Guzmán no mar.

“Ontem havia inúmeros pontos a serem discutidos, o assunto não foi abordado”, afirmou Bellido, que também é deputado pelo governista Peru Libre, um pequeno partido marxista-lenista que ganhou destaque após vencer, para surpresa geral, as eleições presidenciais com a candidatura do professor e sindicalista Pedro Castillo.

O governo de Castillo anunciou na terça-feira que apresentaria um projeto para cremar os restos mortais de Guzmán, mas o tema surpreendentemente saiu da agenda.

O corpo incomoda a esquerda pró-governo, cujos integrantes foram apontados pela oposição como “filosenderistas”.

Segundo a EpicentroTv, um veículo online de jornalismo investigativo, “o Conselho de Ministros rejeitou por maioria uma proposta de decreto supremo” que o Ministério da Justiça preparou para a cremação de Guzmán.

O corpo de Guzmán, que tinha 86 anos, está em um necrotério do porto de Callao desde sábado, quando morreu de “pneumonia bilateral” no presídio de segurança máxima da base naval da cidade, vizinha de Lima, onde cumpria pena de prisão perpétua desde 1992.

Elena Yparraguirre, viúva e número dois da organização maoísta, havia enviado no sábado da prisão feminina de Chorrillos, onde também cumpre prisão perpétua, uma carta de seu advogado pedindo à promotoria que entregasse o corpo a uma terceira pessoa.

A recusa da promotoria na quarta-feira em entregar o corpo para sua viúva e mantê-lo sob custódia até que a investigação sobre sua morte fosse concluída pareceu abrir as portas para uma saída.

A bola agora está com o Congresso, que pode debater um projeto de lei para cremar os restos mortais.

Desde a morte de Guzmán, surgiram reivindicações de congressistas de direita para ver o corpo devido a suspeitas de alguns que consideram que o presidente Castillo e membros de seu governo simpatizam com o Sendero Luminoso, algo que o presidente nega categoricamente.

A indefinição prolonga a incógnita sobre o que acontecerá com aquele que já foi o prisioneiro mais famoso do Peru, questão que pode levar a uma crise política se a incerteza persistir.

A procuradoria de Callao aguarda o resultado dos testes de DNA entre quinta e sexta-feira, para eventualmente encerrar o processo.



Abimael Guzmán passou seus últimos 29 anos condenado como o responsável intelectual por um dos conflitos mais sangrentos da América Latina, com 70 mil mortes, segundo a Comissão de Verdade e Reconciliação.

O Sendero Luminoso lançou uma “guerra popular” marcada por sangrentas ações terroristas entre 1980 e 2000.

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