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Coronavírus provoca recessão recorde na economia mundial

Coronavírus provoca recessão recorde na economia mundial

Um grupo de pessoas usando máscaras segura rosas durante uma homenagem às mais de 5.700 mortes por coronavírus em Los Angeles, Califórnia, em 31 de agosto de 2020 - AFP

Depois da Índia na segunda-feira, o Brasil revelou nesta terça uma queda histórica de seu PIB no 2º trimestre, um tombo sofrido por quase todas as principais economias do mundo em razão da pandemia de covid-19. Apenas a China escapou da recessão.

Veja as principais variações do Produto Interno Bruto (PIB), calculadas em relação ao trimestre anterior. Os valores são, salvo indicação, dos respectivos institutos nacionais de estatísticas.

O Brasil, maior economia da América Latina, divulgou nesta terça-feira uma queda recorde de 9,7% de seu PIB entre abril e junho. O segundo país mais atingido pela pandemia, com mais de 121.000 mortes, o gigante sul-americano entrou oficialmente em recessão após um recuo (revisado) de 2,5% no primeiro trimestre.

“O PIB já está no mesmo nível do final de 2009, no auge da crise financeira internacional”, explicou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em nota.

A Índia, outro gigante emergente que paga um alto preço pela covid-19 (mais de 65.000 mortos), revelou 24 horas antes uma queda sem precedentes de 23,9% de seu PIB ano a ano. Sem recessão, entretanto, já que Nova Délhi registrou crescimento de 3,1% entre janeiro e março.

– China sai das sombras –

Nos Estados Unidos, maior economia do mundo, a queda foi de 9,5% no segundo trimestre, após queda de 1,3% no primeiro, segundo dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

As estatísticas do governo americano publicam variações a uma taxa anualizada (-32,9% no segundo trimestre), como o Canadá, que na sexta-feira lamentou uma queda sem precedentes de 38,7% em seu PIB na primavera (outono no Brasil).

Único sinal de luz na escuridão vem da segunda maior economia do mundo: a China evitou a recessão ao conter a epidemia. O PIB recuperou 11,5% no segundo trimestre, após queda de 10% no primeiro. Em um ano, a queda foi de 6,8% no primeiro trimestre e a retomada de 3,2% no segundo.

Um nível de crescimento que permanece, porém, muito inferior ao registrado pela China nas últimas décadas.

O vizinho japonês teve mais três meses difíceis: no segundo trimestre, seu PIB caiu 7,8% em relação ao de janeiro a março. Esta é a queda mais acentuada desde que dados comparáveis foram estabelecidos em 1980, e o terceiro trimestre consecutivo de contração do PIB.

– Europa mergulhada na recessão –

No Velho Continente, toda a zona do euro viu seu PIB contrair 12,1% na primavera, após -3,6% no trimestre anterior, “de longe” a queda mais significativa “desde o início das séries temporais em 1995” do Serviço de Estatística Europeu Eurostat.

A Alemanha, maior economia da Europa, viu seu PIB despencar 10,1% no segundo trimestre, após cair 2% no primeiro (a pior queda registrada até agora foi de 4,7%).

Menos afetada pela pandemia do que outros países do continente, emitiu um pequeno sinal de esperança nesta terça-feira ao revisar sua projeção de queda da atividade econômica para -5,8%, contra -6,3% estimada anteriormente.

Para a França, que experimentou um confinamento mais rigoroso e mais longo do que seu vizinho do Reno, o impacto é mais severo, com um PIB despencando 13,8% na primavera, após -5,9% entre janeiro e março. O pior trimestre já registrado desde o pós-guerra pelo Instituto Nacional de Estatística era, até então, na primavera de 1968, devido à greve geral de maio.

A Itália, que experimentava um crescimento lento antes da crise da saúde e cuja região mais rica, a Lombardia, foi o epicentro europeu da pandemia por várias semanas, entrou em recessão com uma queda do PIB de 5,4 % no primeiro trimestre, depois 12,4% no segundo.

A Espanha viu sua economia encolher 18,5% no segundo trimestre, após 5,2% no primeiro, incluindo uma queda de 60% nas receitas do turismo na primavera e um declínio de mais de um terço nas exportações.

O Reino Unido, o país europeu mais enlutado pela pandemia, vive a pior recessão do continente, enquanto sua economia continua ligada à da UE até o final do ano. O PIB caiu 20,4% no segundo trimestre, após recuar 2,2% no primeiro.

Quanto à Rússia, sua economia se contraiu 8,5% no segundo trimestre em um ano, de acordo com a primeira estimativa da agência de estatísticas Rosstat. Além dos efeitos da pandemia, o gigante russo também sofreu com a crise do petróleo.