Cultura

Coronavírus provoca calafrios na indústria do cinema

Coronavírus provoca calafrios na indústria do cinema

A indústria do cinema tenta se adaptar à situação inédita gerada pela pandemia do novo coronavírus, com filmagens canceladas, salas de cinema fechadas e o Festival de Cannes suspenso - AFP/Arquivos

A indústria do cinema tenta se adaptar à situação inédita gerada pela pandemia do novo coronavírus, com filmagens canceladas, salas de cinema fechadas e o Festival de Cannes suspenso.

– Estreias podem esperar –

A principal medida tomada até agora por estúdios e distribuidores foi o adiamento das estreias previstas para as próximas semanas, como, por exemplo, a do novo filme de “James Bond”, adiada para novembro.

Nos Estados Unidos, a Disney adiou o remake de “Mulan”, a Universal reagendou para 2021 o nono episódio de “Velozes e Furiosos”, e “Mulher-Maravilha 1984” será lançado em agosto, em vez de junho.

Deve ser reorganizado o calendário de estreias, uma vez que não apenas fecharam as salas de cinema, mas também foram interrompidas a filmagem, produção, dublagem…”, explica Richard Patry, diretor da Federação de Gerentes de Cinema na França.

Patry descarta uma saturação de estreias no terceiro trimestre, uma vez que os filmes previstos para essa época não estarão prontos.

– Vídeo on demand –

A Paramount surpreendeu na última segunda-feira, em Hollywood, ao anunciar que “The lovebirds”, uma das comédias românticas mais esperadas do ano, sairá no Netflix sem passar pelas salas de cinema.

Até agora, vários estúdios haviam optado pelo vídeo on demand (VoD), oferecendo produções cuja vida no cinema foi interrompida pelo novo coronavírus. É o caso da Universal, que, por menos de 20 dólares, permite o aluguel por 48 horas de “Invisible Man”, juntamente com “Emma” e “The Hunt”.

– ‘Home cinema’ –

Ao mesmo tempo em que a indústria mergulha na crise, o período de confinamento também é propício para os cinéfilos em busca de tesouros cinematográficos ou apenas com vontade de rever filmes antigos.

Além dos gigantes habituais, como Netflix, Amazon e Apple TV, aos quais se uniu recentemente em vários países a Disney+, começam a surgir outras plataformas, mais centradas no cinema autoral.

A Mubi, baseada em Londres e apreciada tanto por Martin Scorsese quanto por estudantes de cinema, faz uma oferta de lançamento de três meses pelo valor simbólico de uma libra. A cada mês, ela oferece uma seleção ecléctica de 30 filmes, como “India Song”, de Marguerite Duras.

Para os amantes de raridades, o site Openculture compilou mais de mil filmes acessíveis gratuitamente na internet, de domínio público.

– A incógnita de Cannes –

O Festival de Cannes, que aconteceria entre 12 e 23 de maio, foi suspenso. “Várias possibilidades estão em estudo para manter a cerimônia. A principal é um simples adiamento” para entre o fim de junho e o começo de julho, indicaram os organizadores.

Paralelamente ao festival, Cannes sedia na mesma data o mercado do cinema, evento vital para a indústria.