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Coronavírus perdeu força? Declaração abre polêmica na Itália

ROMA, 01 JUN (ANSA) – Uma declaração do diretor de um importante hospital da Itália abriu um debate sobre o possível enfraquecimento do coronavírus Sars-CoV-2, no momento em que o país tenta retomar a normalidade sob o temor de uma nova escalada dos contágios.   

Alberto Zangrillo, diretor da UTI do Hospital San Raffaele, de Milão, disse no último domingo (31), em entrevista à emissora pública Rai, que, “clinicamente, o novo coronavírus não existe mais”.   

“Cerca de um mês atrás, ouvíamos epidemiologistas com medo de uma nova onda no fim de maio e início de junho, e quiçá quantos leitos de terapia intensiva poderiam ser ocupados. Na realidade, o vírus, do ponto de vista clínico, não existe mais”, declarou Zangrillo.   

Em entrevista à ANSA, Matteo Bassetti, diretor da clínica de doenças infecciosas do Hospital San Martino, de Gênova, seguiu pela mesma linha. “A potência que o vírus tinha dois meses atrás não é a mesma que ele tem hoje. É evidente que a doença Covid-19 é diferente hoje. Sua apresentação clínica é, de fato, muito mais leve”, acrescentou o médico, usando como base sua experiência no atendimento a infectados pelo novo coronavírus.   

Segundo Bassetti, os pacientes recebidos no San Martino nas últimas “quatro ou cinco semanas” não são mais “casos tão graves como os de março e abril”.   

Polêmica – A hipótese de enfraquecimento do Sars-CoV-2, no entanto, é contestada por autoridades sanitárias do governo italiano.   

O presidente do Conselho Superior da Saúde e membro do Comitê Técnico-Científico (CTS) criado pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte para combater a pandemia, Franco Locatelli, disse sentir um “absoluto desconcerto” pelas declarações de Zangrillo.   

“Basta olhar o número de novos casos a cada dia para ter a demonstração da persistente circulação do vírus na Itália”, afirmou. Segundo Locatelli, declarações perigosas que “esquecem o drama vivido pelo país” arriscam “desestimular” a mobilização social em relação às medidas de distanciamento social.   

Além disso, o presidente do Conselho Superior da Saúde ressaltou que “até olhos leigos” percebem que a gestão dos doentes foi “facilitada pelo menor número de casos em relação ao pico e pelo que se aprendeu nos últimos meses”.   

Já o coordenador do CTS, Agostino Miozzo, disse que “afirmações sem suporte científico” são “palavras superficiais” e “decisivamente perigosas em um momento crítico”.   

Números em queda – A Itália reabriu o comércio, praias, salões de beleza, museus, restaurantes e igrejas há 14 dias, mas a medida ainda não produziu efeitos negativos na curva epidêmica.   

Entre 10 e 16 de maio, antes do relaxamento, o país teve média de 927 novos casos por dia, índice que caiu para 652 e 477 nas duas semanas seguintes, respectivamente. Já a média de mortes diárias passou de 195 entre 10 e 16 de maio para 86 entre os dias 24 e 30. (ANSA)

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