Coronaminion, o vírus do ódio

No último domingo, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta concedeu uma entrevista de 25 minutos, na GloboNews, respondendo perguntas de diversos jornalistas. Mandetta não poupou críticas ao presidente Jair Bolsonaro.

Sem meias palavras, coisa rara em tempos onde a estratégia de “cancelamento” se popularizou nas redes sociais e acaba por inibir os posicionamentos críticos mais enfáticos, o ex-ministro afirmou que terminar o ano com 180 mil mortos por Covid-19 era o pior cenário imaginado em sua gestão.

Uma possibilidade que só se tornaria realidade se o governo deixasse de tomar uma série de medidas fundamentais.

Entre essas medidas, estaria convencer o presidente da letalidade do vírus.

Conta que tentou explicar didaticamente ao presidente a facilidade com que o coronavírus é transmitido. E pela forma que o fez, o ex-ministro deixa escapar certo descrédito na inteligência do presidente:


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“Eu expliquei [para o presidente] que o vírus é um bichinho que entra pelo nariz. Ele não entendeu”.

Outra medida importante, seria impedir que Bolsonaro, por sua influência junto a uma enorme parcela da população, se abstivesse de frases polêmicas sobre o assunto como sua insistência no uso da hidroxicloroquina.

“[Por suas falas] o presidente pode ter um QI mediano, mas tem um Quociente Emocional próximo de zero”.

Admitindo que não conseguiu seu intento, o ex-ministro afirmou:

“[os 180 mil mortos] são responsabilidade dele [Bolsonaro]”.

Mandetta desceu o verbo.

Criticou as práticas do Ministério da Saúde atual que, segundo ele, “é uma bagunça sem nenhum planejamento”.

Não poupou alfinetadas a Paulo Guedes, e ao ministro Pazuello, que “parece não ter uma bússola… não sabe onde é o norte”.

Foi enfático ao se referir aos militares do governo:

“Estamos sob uma intervenção militar burra”.

Não tenho nenhuma simpatia especial pelo ex-ministro, mas é necessário coragem para criticar o presidente Bolsonaro e arriscar tornar-se alvo de seus apoiadores.

Não me refiro ao gabinete que, supostamente, está instalado no Palácio do Planalto e que teria o filho do presidente como chefe.

Prefiro não acreditar que tenha sido montada uma estrutura, com dinheiro público, cujo único objetivo é difamar quem critica o governo.

Mas basta circular pelas redes sociais para perceber que existe uma estratégia focada em mudar o rumo da narrativa de um vídeo, entrevista, artigo ou post contrário ao presidente.

Essa atuação é tão transparente na forma, que revela não se tratar apenas de comentários espontâneos.

Assim, mais aterrador do que a existência de um gabinete do ódio em Brasília, é a possibilidade de existirem infinitos “gabinetes do ódio”, formados por gente normal, sem nenhuma coordenação central.

Forma mais simples de explicar como as pessoas pegam a Covid-19 não há: Bolsonaro, o coronavírus é um bichinho que entra pelo nariz. Mas, o presidente não entendeu

Uma espécie de vírus de ódio que contaminou milhões de brasileiros que apoiam o presidente.

Como parasitas, se conectam a um post crítico e para neutralizá-lo se valem de um discurso baseado em fake news, afirmações negacionistas e ataques pessoais ao autor.

Num post do YouTube reproduzindo a entrevista do ex-ministro, testemunhei esse vírus em ação.

Nos primeiros minutos após ser publicado, o vídeo recebeu uma meia dúzia de comentários positivos e negativos, mas, no curto espaço de duas horas, a mesma postagem recebeu centenas de comentários atacando o ex-ministro.

Posts de usuários diferentes, mas com os mesmos argumentos, às vezes com a mesma redação.

O vírus do ódio não veio da China.

Foi criado aqui mesmo, como consequência de um governo que não aceita ser confrontado e atua para matar a discussão, matar ideias contrárias, matar o bom senso e a inteligência.

E contra esse vírus, não existe vacina.

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