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Corinthians melhorou, mas sabe que apenas raça e camisa não vão bastar

Timão de Tiago Nunes superou as expectativas após a paralisação e quase levantou mais um título paulista, porém deixou claro que há uma limitação na qualidade do elenco

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A recuperação do Corinthians no Paulistão e no segundo jogo da decisão contra o Palmeiras são heroicas, e mostraram que houve evolução em comparação com o que foi apresentado em termos de resultado e desempenho na primeira parte da temporada, mas isso também deixou mais claro que para alcançar voos maiores, será necessário muito mais do que raça e camisa pesada.

Antes da pandemia de coronavírus provocar a paralisação no futebol brasileiro, o Timão passava por uma fase terrível, embora tem sido considerada natural pela mudança drástica na filosofia de trabalho no clube, mesmo assim a eliminação na Copa Libertadores e o risco de eliminação (e rebaixamento) no Paulistão eram merecidos pelo que era apresentado. O time vinha em queda livre, sem apresentar qualquer melhora e pausa acabou sendo um alívio.

Com tempo de trabalho, longe da pressão dos resultados, da cobrança dos torcedores e da análise da imprensa, já que não havia partidas a serem jogadas, Tiago Nunes conseguiu reunir seu elenco para refletir e reorganizar aquilo que foi feito no primeiro semestre. De uma forma ou de outra, o comandante viu que seria necessário se adaptar ao modelo antigo de jogo em um primeiro momento para poder avançar naquilo que pensa de futebol.

A estratégia acabou dando certo, o time voltou da parada mais consistente, mais compacto e com uma defesa mais segura, exceto pelo Dérbi da retomada, em que Cássio salvou o time. No entanto, a invencibilidade nesse período e o fato de ter tomado apenas um gol, mostram a melhora. Além disso, Tiago Nunes contou com o velho peso da camisa alvinegra, que é gigante, e com a raça de um time acostumado a decisões nas últimas temporada.

No entanto, tanto no primeiro semestre, quanto nesta retomada, uma coisa ficou bem clara: há uma grande limitação de qualidade no elenco e, aparentemente, até mesmo no que o time pode oferecer. Contra o Palmeiras, na decisão do último sábado, se não é a estrela enorme de Jô, ficaria ainda mais nítido que a equipe havia atingido o máximo que poderia oferecer. As mexidas de Tiago Nunes indicavam isso, e as respostas em campo idem.

Se mesmo com Yony González a carência de um jogador de velocidade que quebre as linhas já era evidente, sem o colombiano a situação ficou pior. A opção do treinador corintiano para tentar virar o jogo sobre o rival foi colocar Araos, um meio-campista, e Everaldo, que ainda não se firmou na equipe. Há ainda Janderson e Léo Natel, mas também não ganharam a confiança necessária. A verdade é que faltam mais atletas decisivos além de Jô e Cássio.

Para o Campeonato Brasileiro, enfrentando um nível mais alto de adversários, é difícil imaginar que o Corinthians consiga pensar em posições no topo da tabela com o elenco que dispõe atualmente, principalmente pela maratona de jogos que será imposta. Sem qualidade e com poucas opções confiáveis para encarar esse desafio, não bastará ter o peso da camisa e a entrega dos atletas.

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