Suposta tentativa de sequestro em avião evoca temor de ’11 de setembro’ em Israel

Incidente com copiloto que esfaqueou comandante e tentou derrubar aeronave é evitado por passageiros e piloto de folga

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Foto: Imagem ilustrativa

Um voo da FlyDubai com destino a Tel Aviv viveu momentos de terror nesta quarta-feira, 30 de setembro, quando o copiloto esfaqueou o comandante e tentou derrubar a aeronave. O incidente, que evocou o temor de um novo “11 de setembro”, foi evitado graças à rápida intervenção de um piloto de folga e quatro passageiros, que dominaram o agressor. O avião, com 174 pessoas a bordo, incluindo 27 crianças, e a maioria israelenses, pousou em segurança no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita.

O que aconteceu

  • Copiloto esfaqueia comandante e tenta derrubar voo da FlyDubai, que partiu dos Emirados Árabes Unidos com destino a Tel Aviv, gerando pânico e remetendo ao “11 de setembro”.
  • A tragédia foi impedida pela ação heroica de um piloto de folga e quatro passageiros, que dominaram o agressor, garantindo o pouso seguro da aeronave na Arábia Saudita.
  • Autoridades de Israel, Emirados e Arábia Saudita investigam as motivações do copiloto, descrito como “fervoroso religioso”, enquanto a FlyDubai suspende voos para Israel.

Segundo as primeiras reconstruções do caso, o copiloto, natural de Omã e possivelmente com dupla cidadania, teria agido sozinho. Fontes do Canal 12 israelense afirmam que, até o momento, não há indicação de que ele tenha sido dirigido pelo Irã ou por outra organização. Contudo, um colega o descreveu como um “fervoroso religioso” que “rezava de forma excessiva durante todo o dia e se recusava a apertar a mão de mulheres”, estando na companhia havia oito meses.

O comandante Smit Machchhar, de nacionalidade indiana, ficou coberto de sangue. O copiloto tentava destruir os instrumentos de bordo quando foi contido. A luta durou cerca de 20 minutos e fez a aeronave despencar mais de 5 mil metros em aproximadamente 30 segundos.

O medo de um novo “11 de setembro”

“Pareceu uma eternidade. O avião estava caindo e rodando, estávamos perto de cair. Eu pensei: acabou, tudo acabou. O 11 de setembro está acontecendo de novo”, contou Daniel, um dos passageiros a bordo, ao Canal 12. A lembrança dos atentados terroristas contra as Torres Gêmeas, em Nova York, e o Pentágono, em Washington, também foi evocada pelo embaixador israelense na Itália, Jonathan Peled.

“O que aconteceu hoje a bordo do voo da FlyDubai poderia ter se transformado em um 11 de setembro para Israel. Felizmente, graças à coragem de outro piloto e dos passageiros que intervieram, uma tragédia foi evitada, e o avião pousou em segurança na Arábia Saudita”, declarou o diplomata no X.

Quais foram as reações e a resposta das autoridades?

O voo FZ1071 havia decolado dos Emirados às 6h05. Às 8h31, enquanto sobrevoava a Península Arábica, foi emitido o código de emergência geral. Sete minutos depois, o avião transmitiu o código 7500, que indica possível sequestro.

Dois caças da Força Aérea israelense já haviam decolado, e os comandantes militares estavam reunidos, porém a aeronave retornou e pousou em Tabuk. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, classificou o episódio como “tentativa de ataque jihadista, frustrada apenas graças ao heroísmo de alguns passageiros israelenses e de um piloto de reserva”. “Segundo as primeiras informações, a intenção do terrorista era derrubar o avião com todos os passageiros”, afirmou.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prestou “homenagem aos heróis a bordo” e informou ter dado “instruções ao aparato de segurança para se preparar para enfrentar eventuais ameaças adicionais”. Na véspera, o premiê já havia declarado que Israel possuía “indicações sobre possíveis ataques em vista das próximas eleições”, marcadas para 27 de outubro.

Já a FlyDubai pediu cautela e alertou contra conclusões precipitadas sobre o motivo enquanto a investigação — conduzida por israelenses, emiradenses e sauditas — estiver em curso. A companhia decidiu suspender por seis dias seus voos para Israel, após conversa telefônica entre Netanyahu e o presidente dos Emirados, Mohammed bin Zayed.

À noite, os passageiros retornaram a Israel em um voo de socorro da FlyDubai e foram recebidos no aeroporto de Tel Aviv pelo premiê israelense.