Edição nº2543 14/09 Ver edições anteriores

Copa lá e Copa cá

O roteirista dessa Copa do Mundo está de brincadeira com a gente.

Sério.

Só não vê quem não quer.

Porque se você prestar atenção nos detalhes e nas armadilhas do destino, vai perceber que a presença da nossa Seleção na Copa da Rússia é um amontoado de metáforas perfeitas para o Brasil de hoje.

Duvida?

Então, confira comigo no replay.

Chegamos à Copa vindos de uma derrota monumental, histórica, única e vergonhosa contra a Alemanha.

A derrota cujo placar não deve ser lembrado.

Derrota que, convenhamos, é a versão futebolística da derrota política, institucional, que foi assistir a uma presidente ser sacada de seu cargo.

O governo PT, que chamou para si a responsabilidade de trazer a última Copa para o Brasil, no final teve que amargar o 7 a 1 da Alemanha.

O mesmo PT que durante décadas lutou para chegar ao poder foi obrigado a sair com o rabão entre as pernas.

Logo, chegamos à Copa da Rússia sob os olhares desconfiados do mundo.

Já teria dado tempo de dar a volta por cima e sacudir a poeira do fiasco?

Escrutínio não muito diferente do que aquele que nós brasileiros e o mundo lá fora ofertamos a Temer quando assumiu a Presidência.

Seria capaz de recuperar a credibilidade do País?

Aí tem o Neymar.

Neymar chegou na Copa se recuperando de uma fratura.

Uma fratura muito menos grave, é verdade, do que a que o Brasil está tentando desesperadamente se recuperar.

O impeachment (ou o golpe, se for essa a sua interpretação) deixou o País engessado física e espiritualmente.

Mas a verdade é que estão, ambos, se recuperando de uma fratura, o que os coloca numa posição insegura.

Neymar não vai dividir bola com ninguém, com medo de uma nova contusão que o tire da Copa.

Temer, esperto, entuchou uma intervenção no Rio de Janeiro que é para não precisar colocar sua canela no caminho de um vexame no Congresso, ao não aprovar a Reforma da Previdência.

Um, ferido pelos adversários em suas batalhas no campo; outro, espancado por suas próprias trapalhadas nas batalhas de campo.

Mas calma. Ainda não acabou.

A chegada de Tite à Seleção se deu depois de uma sequência desastrosa de técnicos.

Temer entrou no lugar de uma sequência desastrosa de presidentes.

Ok! Você pode dizer que Tite não tem nada a ver com os técnicos anteriores, enquanto Temer tem relação visceral com os governos passados.

Tem razão.

Mas vou fingir que não ouvi isso para não estragar o texto.

O fato é que, nos dois casos, nossas esperanças e desconfianças são colocadas sobre dois profissionais experientes em seus campos de atuação.

Do seu lado, Tite tem um longo currículo de sucesso com conquistas históricas em torneios tão importantes quanto o mundial de clubes.

Temer, por sua vez, tem um longo currículo que comprova que é um histórico negociador. Habilidade que ao longo de sua vida política usou para o bem e para o mal.

E a arbitragem?

Todo mundo meteu o pau na atuação do juiz mexicano em nosso jogo contra a Suíça.

Alegam que ele não marcou a falta no gol suíço e que não foi mais enérgico nas inúmeras faltas que o Neymar sofreu.

Um juiz que deixa o jogo correr.

Que não pune como gostaríamos.

Que ignora faltas graves.

Lembrou de alguém?

Metáforas! Essa é a Copa das metáforas.

Treinadores, jogadores, árbitros, tudo na Copa lembra o Brasil.

E, para coroar, Lula está comentando os jogos.

Um ex-presidente, preso, comentando os jogos da Copa da Rússia.

Aí é demais. Desisto.

É metáfora demais para mim.


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