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COP25 adia decisões importantes e frustra ambientalistas

ROMA, 15 DEZ (ANSA) – As negociações na Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP25, realizada em Madri, na Espanha, terminaram sem acordo sobre um dos principais pontos em debate: a regulação global do mercado de créditos de carbono.   

A cúpula se encerrou oficialmente na última sexta-feira (13), mas as tratativas se arrastaram até este domingo (15) por conta das diferenças de visões entre os 196 países participantes, além da União Europeia.   

Após duas semanas de negociações, as delegações concordaram em melhorar as metas de redução de emissões de gases do efeito estufa e em ajudar países vulneráveis às mudanças climáticas, mas adiaram a discussão sobre o mercado de créditos de carbono para a COP26, que acontecerá em Glasgow, Escócia, em novembro de 2020.   

Esse conceito foi estabelecido pelo Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, e permite a venda de créditos de emissões de dióxido de carbono (CO2) de países que superam suas metas para nações mais poluentes.   

O mercado de carbono é um dos pilares do Acordo de Paris de 2015, mas os países ainda não conseguiram chegar a um consenso para regular essa comercialização e fixar um preço para as emissões de CO2.   

Recorde – As negociações em Madri bateram recorde de tempo na história das cúpulas climáticas da ONU, mas frustraram ambientalistas pela falta de compromissos mais contundentes dos participantes.   

O documento acertado na COP25 insta as nações a aumentarem suas metas de redução de poluentes, de modo a cumprir o objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris: limitar o aquecimento global neste século a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais – até agora, o mundo caminha para uma elevação de 3ºC a 4ºC, segundo estudos recentes.   

Os novos objetivos nacionais terão de ser apresentados até a COP26, assim como a diferença entre o que a ciência determina como necessário para conter o aquecimento global e o atual estado da situação. Apoiada pela União Europeia e por pequenos Estados insulares, a melhoria das metas teve oposição de Brasil, China, Estados Unidos e Índia.   

Os participantes também concordaram em destinar recursos aos países mais vulneráveis às mudanças climáticas, como os insulares ou em desenvolvimento. “Durante esse encontro, a porta foi literalmente fechada a valores e fatos, enquanto a sociedade civil e cientistas que pediam a luta contra a emergência climática eram excluídos da COP25”, diz uma nota do Greenpeace.   

De acordo com a ONG ambientalista, apenas as nações mais vulneráveis mostraram empenho para reduzir as emissões. “O resultado dessa COP é totalmente inaceitável”, reforçou a diretora-executiva da entidade, Jennifer Morgan.   

O Greenpeace ainda chamou países como Brasil e Arábia Saudita de “bloqueadores climáticos” e os acusou de “venderem acordos sobre carbono para atropelar cientistas e a sociedade civil”.   

Já a ativista sueca Greta Thunberg afirmou em seu perfil no Twitter que “a ciência é clara, mas está sendo ignorada”.   

“Independentemente do que aconteça, nunca vamos desistir. Nós apenas começamos”, disse. (ANSA)