Coordenador do Prerrogativas, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou à IstoÉ que a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) é “compartilhada” e prova que o presidente Lula (PT) segue sendo o “único adulto da sala”.
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Aliado histórico do petista e apoiador de primeira hora da escolha de Messias para a corte, Carvalho direcionou as críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
“A vitória de Alcolumbre é uma vitória Jack Bauer [protagonista da série americana ‘24 Horas’]: dura 24 horas. Eu vi nele o rosto de Eduardo Cunha”, afirmou, em referência ao ex-presidente da Câmara que conduziu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Na avaliação do advogado, Alcolumbre demonstrou “não ter dimensão da responsabilidade do cargo que ocupa”, enquanto Lula saberá perder.
O presidente do Senado é considerado peça principal da rejeição histórica de Messias no plenário, por 42 votos a 32. Desde que Luís Roberto Barroso anunciou a aposentadoria do Supremo, em setembro de 2025, o presidente do Senado trabalhou para que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) fosse o indicado de Lula à vaga aberta.
A resistência de Alcolumbre e aliados e dos opositores ligados a Jair Bolsonaro (PL) fez o presidente adiar a formalização da indicação por meses com o objetivo de reforçar a articulação por Messias — o que não foi suficiente.
Para Carvalho, a rejeição não é uma derrota de Lula, mas da “governabilidade, do sistema de freios e contrapesos e da divisão de Poderes da República”.
A derrota de Messias e articulação de alcolumbre
Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao STF (Supremo Tribunal Federal), foi rejeitado pelo Senado para ocupar uma vaga na corte nesta quarta-feira, 29.
No plenário, 42 senadores votaram contra a indicação e 34 foram favoráveis. Horas antes, a CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) do Senado havia aprovado a indicação por 16 votos a 11.
O principal fator fator para a demora e, posteriormente, para a rejeição da indicação foi a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que resistiu à escolha feita por Lula e chegou a colocar em dúvida publicamente a viabilidade da aprovação de Messias. Alcolumbre defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB) como alternativa para a vaga no Supremo, o que acirrou o impasse entre o Palácio do Planalto e o comando da Casa.
O embate chegou no ápice quando o líder do Senado atropelou o processo regulamentar e marcou sabatina antes mesmo do envio formal da indicação, reduzindo o tempo de articulação política do governo. Diante da pressão de aliados, no entanto, a sessão acabou cancelada.
A avaliação era de que o nome de Messias não tinha apoio consolidado e poderia enfrentar dificuldades para atingir os 41 votos necessários para aprovação em plenário. Após a nova datação da sabatina, políticos de oposição reiteraram sua resistência contra o advogado-geral.
Diante do risco de derrota e da resistência no Senado, o governo adiou o envio da indicação e intensificou a articulação política ao longo dos meses seguintes.
Resultado histórico
A rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal), é um marco histórico na República. A última vez que senadores rejeitaram uma indicação presidencial à cúpula do Judiciário foi em 1894, no governo de Floriano Peixoto. Há 132 anos, portanto.
Esta é a sexta rejeição de uma indicação presidencial à corte, que teve 172 ministros. Todas as cinco anteriores ocorreram no mandato de Peixoto. Desde então, todas as escolhas foram aprovadas.
Ao longo de seus três mandatos, o presidente Lula (PT) indicou 10 ministros para a corte, sem nenhuma rejeição. No atual governo, Cristiano Zanin e Flávio Dino foram nomeados, mas Messias enfrentou resistências do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que preferia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), e da oposição ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), forte crítica das escolhas petistas.
Com a rejeição, Lula não perde o direito à indicação. O presidente poderá escolher um novo nome ou enviar novamente o nome de Messias ao STF, mas o processo dependerá da articulação política do governo no Congresso.