ROMA, 26 JAN (ANSA) – A participação do rapper italiano Ghali, amplamente conhecido por seu posicionamento pró-Palestina, na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo gerou controvérsia no país nesta segunda-feira (26).
Durante a edição de 2024 do tradicional Festival de Sanremo, o músico pediu o “fim do genocídio” na Faixa de Gaza enquanto se apresentava no Teatro Ariston, provocando um intenso debate. A declaração levou Israel a criticar os organizadores do evento por permitirem o ato do artista, que é italiano, nascido em Milão, e filho de pais tunisianos.
O ministro do Esporte da Itália, Andrea Abodi, afirmou que os shows de abertura das Olimpíadas “são centrados no respeito” e disse não acreditar que haverá “mal-entendidos sobre a direção ideal, cultural e até mesmo ética”.
“Não me envergonho de não compartilhar do pensamento de Ghali e das mensagens que ele transmitiu, mas acredito que um país deve ser capaz de suportar o impacto de um artista que expressou uma ideia com a qual não concordamos, e que não será expressa naquele palco”, declarou.
A União das Comunidades Judaicas Italianas (Ucei), por meio de sua presidente, Noemi Di Segni, disse esperar que Ghali “tenha recebido alguma orientação ou direcionamento” sobre o papel que deve desempenhar na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno.
Já fontes do partido Liga afirmaram que a presença de Ghali no megaevento é uma “notícia chocante” e “repugnante”, além de declararem que a Itália e os Jogos Olímpicos “merecem um artista, não um fanático pró-Palestina”.
Por outro lado, representantes da comissão de cultura do Movimento 5 Estrelas (M5S) criticaram o posicionamento de Abodi e acusaram o ministro de ter “medo da liberdade de expressão”.
“Quando um ministro diz que um artista ‘não expressará seus pensamentos no palco’, ele não está falando de respeito ou ética: está defendendo a censura preventiva. A arte não deve ser neutra, domesticada ou inofensiva, mas sim expressa livremente.
Quem não consegue lidar com isso simplesmente não consegue lidar com a democracia”, afirmaram os parlamentares.
Já Irene Manzi, líder do Partido Democrático na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, avaliou que os ataques do governo italiano contra Ghali “são completamente inaceitáveis” e defendeu que a “arte é livre e não pode ser explorada por razões políticas ou ideológicas”. (ANSA).