As convenções partidárias de 2024 marcam, oficialmente, o início da corrida pelo Palácio do Planalto, consolidando as candidaturas para as eleições presidenciais de outubro. Entre 20 de julho e 5 de agosto, partidos realizam encontros para definir coligações e homologar chapas. Este período pré-eleitoral já evidencia polarização, disputas jurídicas e inovação tecnológica na campanha, que se estenderá até o pleito.
O que aconteceu
- As convenções partidárias de 2024 dão largada à corrida presidencial com a oficialização de candidaturas e estratégias.
- O PL oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro, com o uso de inteligência artificial representando Jair Bolsonaro e a participação de Javier Milei, gerando polêmicas.
- Outros partidos, como PSD e Novo, apresentam Ronaldo Caiado e Romeu Zema, enquanto o PT prepara a homologação da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.
A abertura do calendário das convenções evidenciou que a corrida presidencial será marcada não apenas pela polarização entre governo e oposição, mas também por disputas jurídicas, inovação tecnológica e rearranjos entre as principais forças políticas.
O movimento de maior repercussão ocorreu no último sábado, 25 de julho, quando o Partido Liberal (PL) oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. A convenção foi realizada no Centro de Convenções do Pacaembu, em São Paulo.
O evento acabou se transformando em um marco da campanha ao utilizar, pela primeira vez em uma convenção presidencial, uma representação do ex-presidente Jair Bolsonaro produzida por inteligência artificial. Impedido de comparecer por cumprir prisão domiciliar, Bolsonaro apareceu em telões em um vídeo que reproduzia sua voz e seus gestos para pedir apoio ao filho, apresentado como seu sucessor político.
A equipe do PL inseriu um aviso informando que a exibição havia sido produzida por inteligência artificial, numa tentativa de afastar questionamentos sobre eventual desinformação. Ainda assim, a estratégia abriu um debate jurídico sobre os limites da utilização de tecnologias sintéticas em campanhas eleitorais e poderá ser analisada pela Justiça Eleitoral nas próximas semanas.
Outro ponto que ampliou a repercussão da convenção foi a participação do presidente da Argentina, Javier Milei. Em discurso direcionado à militância conservadora, o líder argentino fez críticas ao governo brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes do STF.
As declarações provocaram forte reação do Palácio do Planalto e do Itamaraty, que adotaram medidas diplomáticas contra a Argentina, transformando um evento partidário brasileiro em uma crise entre os dois países.
Apesar da mobilização política, o PL encerrou sua convenção sem anunciar o candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro. A indefinição demonstra que as negociações com partidos aliados permanecem em andamento e deverão prosseguir durante os próximos dias.
Quais as alternativas do centro?
Enquanto a oposição iniciou oficialmente sua campanha, outras forças políticas avançam na consolidação de seus projetos eleitorais.
No domingo, 26 de julho, o Partido Social Democrático (PSD) oficializou a candidatura presidencial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD-GO). O presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab (PSD), foi confirmado como candidato a vice-presidente, consolidando uma chapa que pretende ocupar espaço entre os polos representados por Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Já nesta segunda-feira, 27 de julho, será a vez do Partido Novo realizar sua convenção nacional. O partido deve homologar a candidatura do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), que tentará ampliar sua projeção nacional após dois mandatos à frente do governo mineiro.
A expectativa é que Zema apresente uma plataforma voltada à agenda liberal e procure se consolidar como alternativa ao eleitorado de centro-direita.
O que o PT planeja para lula?
Do lado governista, o calendário ainda reserva a principal convenção da base aliada.
O Partido dos Trabalhadores (PT) marcou para o próximo dia 2 de agosto a homologação da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A expectativa é que o evento reúna partidos que já anunciaram apoio ao petista e sirva para consolidar a estratégia eleitoral construída ao longo dos últimos meses, marcada pela formação de palanques estaduais amplos e alianças com legendas de diferentes espectros políticos.
Antes disso, o Partido Democrático Trabalhista (PDT) já havia formalizado, em 20 de julho, o apoio à candidatura de Lula, reforçando a composição do bloco governista.
Entenda o calendário eleitoral
Além do aspecto político, as convenções cumprem uma etapa obrigatória prevista na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) e nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Após cada convenção, os partidos precisam registrar as atas dos encontros no sistema CANDex e providenciar o pedido de registro das candidaturas dentro dos prazos fixados pela Justiça Eleitoral.
A partir da homologação das chapas, as campanhas passam a concentrar esforços na montagem das equipes, na arrecadação de recursos e na definição das estratégias que serão levadas às ruas e às redes sociais durante a disputa presidencial.
Com os principais candidatos sendo oficializados ao longo das próximas semanas, o período de convenções marca, na prática, o início da fase mais intensa da corrida pelo Palácio do Planalto, em um cenário que promete combinar embates políticos tradicionais com novos desafios impostos pela tecnologia e pela crescente judicialização das eleições.