Contratação de israelense pela Fiorentina gera debate político

FLORENÇA, 2 JAN (ANSA) – A Fiorentina se reforçou nesta sexta-feira (2) com a contratação, por empréstimo, do ponta-esquerda israelense Manor Solomon, do Tottenham. A chegada do jogador de 26 anos, no entanto, gerou um intenso debate político na Itália.   

Os Spurs adquiriram o atleta em 2023, pouco depois de Solomon se destacar pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Sem conseguir espaço em Londres, ele foi emprestado ao Leeds United e, posteriormente, ao Villarreal. Na Espanha, porém, teve poucas oportunidades e agora buscará reencontrar sua boa forma no futebol italiano.   

“Estou muito feliz por estar aqui. Sei que é um clube fantástico, com um grande legado e uma história rica, e estou ansioso por este desafio. A situação não está fácil, mas tenho certeza de que podemos melhorar muito, pois temos um ótimo elenco e um grande treinador”, declarou o israelense.   

Paralelamente, políticos italianos passaram a discutir publicamente a contratação de Solomon. A polêmica teve início após críticas feitas por Jacopo Madau, do partido Esquerda Italiana (SI) e secretário provincial em Florença.   

“Você não é bem-vindo. Uma pessoa que nunca escondeu seu apoio às políticas genocidas de Netanyahu não é bem-vinda em Florença nem pode representar nossa cidade e a Fiorentina”, escreveu Madau em uma publicação.   

As declarações provocaram reações imediatas de diversos setores políticos, especialmente de quem defende a separação entre esporte e disputas ideológicas.   

“Ser cidadão israelense não é crime. Podemos ter opiniões diferentes sobre temas políticos, mas não devemos misturá-los com a Fiorentina, que neste momento precisa de união para sobreviver. Que culpa um jovem de 26 anos pode ter pelo genocídio na Faixa de Gaza? A guerra divide, mas o esporte une”, afirmou Alessandro Draghi, representante florentino do partido Irmãos de Itália (FdI).   

Já o empresário Marco Carrai, cônsul honorário de Israel para a Toscana, Emilia-Romagna e Lombardia, avaliou que as declarações de Madau foram “extremamente graves” e “repugnantes”.   

“Aqueles que falam de paz e declaram pessoas indesejáveis estão no mesmo nível de pensamento daqueles que empurraram judeus para os crematórios, acreditando-se inocentes e com a consciência limpa apenas por terem recebido ordens”, declarou.   

(ANSA).