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Contra prognóstico, superlotada Mumbai resiste ao vírus na Índia

Contra prognóstico, superlotada Mumbai resiste ao vírus na Índia

Um profissional de saúde mede a temperatura de uma passageira com seu filho na estação de Mumbai em 8 de junho de 2021 - AFP


Poucas cidades na Índia pareciam tão vulneráveis à pandemia de covid-19 quanto Mumbai, a mais populosa do Sul da Ásia. Mas esta cidade portuária resistiu a uma segunda onda terrível melhor do que Nova Delhi e não baixou a guarda contra uma terceira.

Em maio de 2020, Abhignya Patra, uma anestesista de 27 anos, trabalhava 18 horas por dia no hospital Lokmanya Tilak, na capital do estado de Maharashtra (oeste).

“Era um non-stop”, recorda.

As famílias dos doentes descreveram amplamente o pesadelo vivido nos hospitais superlotados, onde os pacientes eram tratados ao lado de cadáveres cobertos por lonas pretas.

As linhas diretas estavam ocupadas 24 horas por dia com milhares de ligações de cidadãos desesperados que precisavam de um hospital, ambulância ou oxigênio.

Com 20 milhões de habitantes, Mumbai tem apenas 80 ambulâncias e 425 leitos de terapia intensiva.

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Foi nesse período dramático que Iqbal Chahal assumiu as rédeas da corporação municipal determinado a mudar as coisas rapidamente, explicou à AFP.

Hospitais de campanha foram construídos para acomodar milhares de pacientes adicionais e 800 veículos foram transformados em ambulâncias.

– “Frear o vírus” –

Mas os esforços continuavam insuficientes devido à multiplicação das infecções.

“Tínhamos que frear o vírus”, diz Chahal.

Ele impôs confinamento estrito nas 55 favelas da megalópole, incluindo Dharavi, a maior da Índia, implementou desinfecção sistemática de banheiros públicos e testes em massa.

Os casos positivos passaram a ser redirecionados para “salas de crise”, onde os médicos estudam sua situação antes de decidir onde e como vão cuidar dele, seja um ministro, um empresário ou um sem teto, explicou Chahal.

No final de 2020, a Índia acreditava ter derrotado o vírus. Mumbai não baixou a guarda e não desmantelou nenhum dos hospitais de campanha que estavam então vazios, segundo ele.

E quando os casos começaram a aumentar no final de março e o tsunami devastador da segunda onda chegou, com picos de 400.000 infecções diárias em todo o país no início de maio, Bombaim, contra todas as expectativas, resistiu melhor.

“Esperávamos essa segunda onda”, explica Chahal.

Na capital Nova Delhi, como em muitas outras áreas, os doentes morriam fora do hospital e havia um desfile constante de procissões fúnebres aos crematórios.

Mas não em Bombaim, com uma taxa de mortalidade claramente menor, apesar de sua densidade populacional.

Gaurav Awasthi, de 29 anos, percorreu em vão centenas de quilômetros ao redor de Delhi para encontrar um hospital para sua esposa, doente com covid-19.

Finalmente pagou mais de mil dólares por uma transferência de ambulância – que demorou 24 horas de estrada – para Bombaim, onde foi curada.

“Jamais poderei pagar minha dívida com esta cidade”, disse à AFP.

“Não sei se minha esposa estaria viva sem Bombaim”, acrescenta.

Também houve falhas, pondera Chahal, lembrando a falta de oxigênio em seis hospitais que custou a vida de 168 pacientes em uma noite de abril.

Ruben Mascarenhas, cofundador da ONG Khaana Chahiye contra a fome, recebia dezenas de mensagens pedindo oxigênio e outros remédios, embora, no pior momento da pandemia, viessem de outras áreas.

Agora está “agradavelmente surpreso”, embora prefira ser “muito cauteloso antes de comemorar qualquer coisa”.

Também Chahal, que antecipa uma terceira onda com maior impacto nas crianças. Por isso, já armazena reservas de oxigênio, fortalece os serviços pediátricos e aumenta a capacidade dos hospitais públicos. Sua cidade continua em pé de guerra.

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