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Conte eleva tom e diz que UE deve suavizar regras econômicas

ROMA, 8 ABR (ANSA) – O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, alertou nesta quarta-feira (8) que a União Europeia (UE) deve concordar em amenizar as regras orçamentárias na luta contra a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), porque, caso contrário, a Itália precisará agir por conta própria. “Não devemos ficar atrás da China ou dos Estados Unidos, que disponibilizam 13% de seu PIB. Peço para suavizar as regras orçamentárias, senão faremos sem a Europa e cada um por sua conta”, afirmou Conte em entrevista ao jornal alemão “Bild”. A declaração do político italiano refere-se ao desacordo do Eurogrupo na criação de mecanismos para lidar com a pandemia do novo coronavírus, às divergências sobre os chamados “eurobonds” – títulos de dívida comum para a zona do euro -, além da possibilidade de mutualização da dívida europeia, pedida pelos governos italiano e espanhol e rechaçada por nações com políticas fiscais mais rigorosas, principalmente Alemanha, Áustria e Países Baixos. “Precisamos dos eurobonds para não fazer a Europa perder competitividade. São necessários novos instrumentos financeiros para enfrentar esta crise”, explicou Conte. O primeiro-ministro da Itália ainda destacou que, após os eurobônus, não há intenção de que outros países europeus paguem a dívida italiana.   

“Pagamos nossas dívidas, sempre o fizemos, e pagamos nossas dívidas com poupança privada, com nosso próprio dinheiro, não pedimos dinheiro aos outros”, afirmou Conte, ressaltando que o país tem “fundamentos econômicos sólidos, reformas estruturais e um sistema integrado”.   

“A decepção não é minha, não é do primeiro-ministro Giuseppe Conte, a decepção é de todos os cidadãos europeus, estou convencido de que também é dos alemães porque eles não têm nenhuma vantagem de que a Europa não consiga adotar uma reação concreta e sólida”, acrescentou.   

Para o premier italiano, “esta é uma emergência” à qual a União Europeia “deve responder sim ou sim”. “Nunca experimentamos uma emergência desse tipo, portanto, os cidadãos europeus esperam uma solução”.   

“Quando construímos instrumentos financeiros para lidar com essa crise, mais cedo sairemos e teremos benefícios econômicos e sociais, todos nós, incluindo cidadãos alemães”, finalizou ao jornal Bild. (ANSA)