Saúde

Contato com chumbo na infância afeta inteligência e estrutura cerebral, alertam cientistas

Frederico Cursino, da Agência Einstein

A exposição ao chumbo na infância pode levar a mudanças significativas na estrutura do cérebro e perda de inteligência na idade adulta. Um estudo da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, constatou que crianças que, aos 11 anos, apresentavam quantidades elevadas da neurotoxina no sangue tiveram, depois de mais de três décadas, um menor desenvolvimento da superfície cortical e do hipocampo, regiões que desempenham um papel na memória, aprendizagem e emoções. Além disso, para cada cinco microgramas de chumbo adicionais em cada decilitro de sangue, os participantes perderam uma média de dois pontos de QI aos 45 anos.

As descobertas vêm de um estudo de longo prazo com mais de 1 mil pessoas nascidas na mesma cidade na Nova Zelândia, em 1972 e 1973. Os pesquisadores tiveram dados de exposição ao chumbo na infância para 564 dos participantes, que cresceram durante o auge do uso da gasolina com chumbo, cuja comercialização acabaria sendo eliminada da maioria dos países do Ocidente – incluindo o Brasil – a partir de meados da década de 1980. O composto, porém, ainda é usado em alguns países do Leste Asiático e do Oriente Médio. A Unicef calcula que cerca de 800 milhões de crianças (uma em cada três no mundo) continuam sendo expostas à toxina, a maioria delas, em nações de baixa e média renda.

“Descobrimos que há déficits e diferenças na estrutura geral do cérebro que são aparentes décadas após a exposição”, explica Aaron Reuben, coautor do estudo, apresentado em sua candidatura para o doutorado na Universidade Duke, e publicado em novembro pelo Journal of the American Medical Association (JAMA). “Isso é importante porque nos ajuda a entender que as pessoas não parecem se recuperar totalmente e podem, de fato, ter problemas maiores com o tempo”, acrescenta.

De acordo com a publicação, os participantes com as maiores exposições ao elemento químico também demonstraram déficits estruturais na integridade da substância branca do cérebro, responsável pela comunicação entre as regiões do órgão. Os autores acrescentam que, embora os indivíduos analisados não tenham relatado perda de habilidades cognitivas, pessoas próximas disseram o contrário: que eles tendiam a apresentar pequenos problemas cotidianos referentes a memória e atenção, como distração ou perda de objetos.


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Anteriormente, os pesquisadores já haviam revelado que esses mesmos participantes – na época, com 38 anos – haviam sofrido perda de inteligência e de posição ocupacional devido à alta exposição ao chumbo. A publicação mostrou que aqueles que, aos 11 anos, carregavam mais de dez microgramas de chumbo por decilitro de sangue tinham o QI, em média, 4,25 pontos mais baixo comparados aos que tiveram menor exposição. Foi constatado ainda uma diminuição da pontuação de QI em relação às que eles mesmos haviam obtido na infância. A concentração de chumbo no sangue foi associada ainda com uma menor função cognitiva, nível socioeconômico mais baixo, e mobilidade social descendente.

“Nossas descobertas envolvem características gerais do cérebro”, comenta a autora sênior do estudo, Terrie Moffitt, que é professora de psicologia e neurociência da universidade norte-americana. “Nossa pesquisa começou observando essas características do cérebro porque os cientistas realmente não sabem muito sobre os efeitos tardios da exposição ao chumbo na infância.”

Os pesquisadores acrescentam que mais diferenças podem surgir à medida que os participantes envelhecem. A próxima etapa do estudo é entender se as crianças expostas ao chumbo teriam maior risco de sofrer doenças degenerativas à medida que envelhecem.

Segundo a publicação, o que torna o caso neozelandês um experimento natural importante é que o tráfego de automóveis movidos a gasolina com chumbo ter atingido todas as camadas sociais. Já as exposições a tintas ou tubos com a neurotoxina representam ameaça maior para as famílias mais pobres.

No início da década de 1920, um composto chamado tetraetilchumbo foi adicionado à gasolina por sua capacidade de aumentar as taxas de octanagem e a potência do motor. Embora não houvesse a queima do elemento, ele era expelido dos tubos de escape e se espelhava como partículas nos solos por onde os carros passavam. As crianças que brincavam ao ar livre tendiam a respirar a poeira carregada de chumbo ou engolir pequenas quantidades do solo contaminado. Em ambos os casos, o chumbo pôde se acumular na corrente sanguínea da criança, instalando-se, em seguida, nos ossos, dentes e tecidos moles e se acumulando no corpo ao longo do tempo.

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(Fonte: Agência Einstein)

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