Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta quarta-feira (29) a portas fechadas para abordar a tragédia de Melilla que custou a vida de ao menos 23 imigrantes africanos que tentaram entrar no enclave espanhol em Marrocos em 24 de junho, mas não chegaram a uma posição comum, segundo diplomatas.

Quênia, o membro não permanente por trás da convocação do Conselho, redigiu uma declaração denunciando o sofrimento dos imigrantes africanos ao longo da costa mediterrânea e pedindo a Marrocos e Espanha uma investigação rápida e imparcial.

Este texto, que despertou relutâncias – particularmente dos Estados Unidos -, não tem chances de prosperar como está redigido, segundo vários diplomatas. Os membros africanos do Conselho de Segurança – Gana e Gabão, além do Quênia – não entraram em consenso sobre a resposta que o Conselho deve dar à tragédia de Melilla, declarou à AFP um dos diplomatas, sob condição de anonimato.

Consultado depois da reunião sobre o assunto, o embaixador adjunto do Quênia, Michael Kiboino, se negou a fazer comentários e garantiu que as discussões sobre o projeto de declaração de seu país continuam.

A sessão começou com uma parte informativa de Ilze Brands Kehris, assistente do secretário-geral dos direitos humanos da ONU, o que por si só foi um evento bastante raro no Conselho de Segurança.

Após sair do Conselho, Kiboino apontou que os imigrantes africanos foram “submetidos a uma brutalidade horrível por parte das forças de segurança quando tentaram entrar no enclave espanhol de Melilla”.

A reunião tinha como objetivo fazer com que o Conselho de Segurança exigisse um “tratamento humano” para os africanos e destaque que é preciso “abordar a necessidade de segurança dos africanos que fogem das guerras e da insegurança em seus países” respectivos, acrescentou.

Ao menos 23 imigrantes morreram e 140 policiais ficaram feridos, segundo as autoridades marroquinas, quando cerca de 2.000 imigrantes tentaram cruzar a alta cerca metálica que separa Melilla da cidade fronteiriça marroquina de Nador (norte).