Consciência Brasil

A trajetória e a vitória acachapante do piloto Lewis Hamilton, no grande prêmio de São Paulo de Fórmula 1 e a de Rebeca Andrade com as medalhas de ouro e prata nos palcos Olímpicos de Tóquio e no Campeonato mundial de ginástica também no Japão, demonstram de forma cabal o erro profundo e a desonestidade de páginas e páginas de teorias pretensamente científicas que apontavam a incapacidade e inabilidade do negro para a execução de modalidades esportivas que exigissem mais que força física.

No mundo e no Brasil os negros repetidamente têm denunciando e combatido o falseamento dessas teorias, e com conquistas nas mais diversas arenas esportivas e sociais, tem demonstrado de forma definitiva que, quando houver igualdade de oportunidades, o talento, a criação e a garra reinam livremente e permitem de forma irretocável a manifestação da máxima: que vença o melhor.

No momento em que iniciamos as comemorações da Semana da Consciência e nos preparamos para celebrar o dia 20 de novembro, dia da morte do líder negro e herói nacional Zumbi dos Palmares, os dois feitos memoráveis nos convida a refletir o quanto essas teorias permanecem vivas entre nós e quanto à resiliência, superação, discernimento, sinceridade e disposição de luta dos negros brasileiros, têm auxiliado o País a reencontrar sua verdade, reescrever sua história e redesenhar seu futuro.

No Brasil da fantasia da democracia racial e do Estado democrático de Direito aprendemos desde cedo o tipo de roupa e a forma de penteado que devemos apresentar publicamente. Sabemos também, que transitar e adentrar em determinados recintos públicos ou privados, ou conferir preço nas gôndolas de determinados supermercados é passível, além de humilhação pública, também a eliminação física. Seja pela segurança do Estado seja pela segurança privada.

Só quando houver igualdade de oportunidades poderá se dizer: que vença o melhor

No País da consciência e da luta, a coragem, dos negros reconstituiu Zumbi dos Palmares e seus camaradas: Luiza Mahin, Dandara dos Palmares e João Cândido, de rebeldes sem causa, a heróis nacionais. Na Nação mais negra das Américas perfilhada de talentos negros de toda grandeza e natureza, o lugar dessas pessoas será e deverá ser sempre aquele que elas quiserem.

E um País, moderno, consciente e inteligente em que todos participam e ganham, será sempre aquele que recepcionar e valorizar todas as histórias e pertencimentos e criar e garantir as condições para que todos, sem distinção de cor ou raça possam disputar igualitariamente pela vontade e talento as oportunidades e prêmios sociais. Esse deve ser o sentido da história, esse deve ser o objetivo da glória. No dia 20 de novembro tenha consciência Brasil.


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