Conheça os principais exames usados para diagnosticar o câncer

Exames de rastreamento e prevenção são essenciais para um diagnóstico precoce da doença e aumento das chances de cura

Médica exibe exames a paciente com câncer
Foto: Freepik

A identificação de um tumor no início depende de muitos fatores – e continua essencial para aumentar as chances de cura da doença e melhorar o prognóstico do caso. O diagnóstico precoce possibilita tratamentos menos invasivos e menos agressivos ao paciente”, explica a oncologista Maria Alzira Rocha, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.

O principal tipo de exame que ajuda a diagnosticar o câncer é o de rastreio, como aponta a médica Fernanda Cano Casarotto, membro do comitê de rastreamento e prevenção da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica: “Importantes para diagnosticar cânceres em estadiamentos mais iniciais, os exames de rastreamento são uma estratégia de saúde pública, voltada para a população geral, ou seja, pessoas sem sintomas”.

O objetivo, nesse caso, é encontrar lesões pré-malignas. Já os exames de diagnóstico, são indicados nos casos de suspeita do câncer, para pessoas que já apresentam sintomas ou têm um risco maior de desenvolver a doença. Confira, a seguir, os principais exames de rastreio, investigação e diagnóstico do câncer:

Mamografia

É o principal exame para detecção precoce do câncer de mama, pois consegue detectar tumores e microcalcificações, indicando a suspeita de câncer. Deve ser realizado anualmente a partir dos 40 anos de idade, com ou sem sintomas da doença, segundo a recomendação de sociedades e instituições médicas. Mulheres com histórico familiar da doença ou que carregam os genes de BRCA1 e BRCA2 devem começar o rastreio antes, sob orientação médica.

Colonoscopia

É o principal exame de rastreio do câncer colorretal (ou câncer de intestino) e deve ser feito a partir dos 45 anos de idade. Por meio da visualização do interior do reto e do intestino grosso, com a ajuda de um aparelho flexível com câmera introduzido no paciente pelo ânus. Além de detectar lesões que podem ser câncer, a colonoscopia permite ainda a remoção de pólipos (lesões benignas que podem se tornar câncer) encontrados no intestino já podem ser removidos.

PSA (Antígeno Prostático Específico)

Um dos principais exames de rastreio do câncer de próstata, por meio de análise sanguínea. Consegue detectar sinais precoces da doença e deve ser feito a partir dos 50 anos de idade. Trata-se, no entanto, de um ponto de partida para uma investigação mais aprofundada da suspeita de câncer. “Além do PSA, é recomendado a avaliação anual com urologistas para exame de toque retal anualmente a partir dos 50 anos. Para fechar o diagnóstico (em caso de suspeita), podem ser feitos ainda exames de ressonância de próstata e biópsia”, completa a oncologista Maria Alzira Rocha.

Papanicolau

É o exame ginecológico mais comum e um dos principais na prevenção do câncer de colo de útero. Detecta precocemente alterações celulares que podem indicar infecções, doenças sexualmente transmissíveis e, principalmente, o câncer e deve ser feito anualmente a partir dos 25 anos, de acordo com o Ministério da Saúde.

Pesquisa do DNA-HPV

Desde maio deste ano, o Sistema Único de Saúde anunciou a substituição gradual do exame de papanicolau pelo DNA-HPV. A coleta é feita da mesma maneira do que o papanicolau, a diferença é que, ao invés de buscar alterações que possam indicar lesões pré-cancerosas ou câncer, o teste de DNA-HPV detecta diretamente a presença do vírus HPV. “A procura direta pelo HPV permite diagnósticos mais certeiros, por isso, é preciso que as pessoas saibam e questionem o médico a respeito desse exame”, explica Fernanda Casarotto.

Tomografia Computadorizada

A tomografia computadorizada é um exame de imagem que utiliza radiação para fornecer imagens detalhadas das estruturas do corpo. No contexto do câncer, o exame consegue identificar pequenos nódulos e tumores de diferentes tipos de câncer, tornando-se essencial não apenas para o diagnóstico precoce, como também para o acompanhamento da doença e para a definição de tratamentos.

Consulta dermatológica

A avaliação da pele por um dermatologista é indicada para o rastreamento do câncer de pele, sendo recomendada para pessoas que têm uma exposição solar frequente ou histórico familiar de câncer de pele. “Além disso, durante a avaliação cutânea, é possível fazer também a retirada de lesões de alto risco, pré-malignas ou até mesmo o melanoma em si”, acrescenta a especialista do Instituto Vencer o Câncer.

Ultrassom, raio-x e exame de sangue

Exames de imagem e clínicos como ultrassom, raio-x e de sangue podem ser usados para auxiliar no diagnóstico do câncer, mas ainda é necessária uma biópsia para fechar o diagnóstico.

Biópsia

A biópsia é o principal exame usado para diagnosticar o câncer. “É como se fosse a certidão de nascimento do câncer, dá o nome e sobrenome da doença, o diagnóstico final”, completa Casarotto. Consiste na retirada de uma amostra de um tecido do corpo para análise em laboratório. Geralmente, é feita depois de um exame de rastreio apontar uma suspeita de câncer.

Marcadores tumorais

São proteínas que podem estar alteradas em caso de câncer. Normalmente são usados para acompanhar o estágio de um câncer, mas não determinam diagnósticos. “Na prática, vemos muitas pessoas ansiosas e até marcando consultas com oncologistas na presença de um exame alterado, mas os marcadores isoladamente não têm a força de diagnosticar um câncer”, explica Maria Rocha.