Conheça as dez esculturas mais famosas de Auguste Rodin

Conheça as dez esculturas mais famosas de Auguste Rodin

Poucos conseguiram explorar o bronze como Auguste Rodin (1840-1917), um dos um dos maiores escultores de todos os tempos. Quem tiver a oportunidade de visitar Paris, recomendo a visita ao Musée Rodin. Foi inaugurado em 1919, no Hotel Biron, local que era utilizado como oficina por Rodin desde 1908.

O museu reúne obras de Rodin e toda a coleção do artista, inclusive com pinturas de Vincent van Gogh e Pierre-Auguste Renoir que ele adquiriu quando estava vivo, juntamente com obras de arte do Antigo Egito, da Grécia, de Roma e, depois, do Extremo Oriente. O acervo tem 6.600 esculturas, 25.000 fotografias, 8.000 desenhos e 7.000 objetos de arte. Atrás do edifício do museu existe um lindo jardim, pequeno lago e um restaurante que vale conhecer.

Enquanto as viagens não voltam à normalidade, acompanhe a trajetória de Auguste Rodin por dez importantes obras:

1-A Idade do Bronze Esta escultura foi muito importante porque originou a encomenda de 1880 para a criação de “Os Portões do Inferno”. Foi produzida por dezoito meses, antes de ser exibida no Salão de Paris. Originalmente, Rodin tinha colocado uma lança na mão da figura, mas decidiu remover e deixou o assunto aberto à interpretação do público, assim como a pose ambígua do homem reproduzido. A escultura tem um naturalismo tão real que Rodin chegou a ser acusado de ter feito moldes de gesso diretamente do corpo do modelo que inspirou a obra.

2-A Porta do Inferno Em 1880, Auguste Rodin foi contratado para criar um conjunto de portas de bronze monumentais para um novo museu de artes decorativas em Paris. O livro “A Divina Comédia” de Dante Alighieri inspirou o artista com sua descrição impactante da jornada pelo Inferno. A escultura de Rodin mostra cerca de 185 figuras, com dimensões que variam de 15 centímetros e um metro, sofrendo e se contorcendo, entre as quais personagens identificáveis ​​do Inferno. A obra foi produzida durante 37 anos (de 1880 a 1917) e as portas só foram fundidas em bronze após a morte de Rodin. Vários pedaços da obra inspiraram outras esculturas como “O Pensador”, “O Beijo” e “As Três Sombras”.

3-O Pensador Essa escultura é uma das mais conhecidas do mundo. No começo, chegou a se chamar “O Poeta”. “O Pensador” foi concebido pela primeira vez como uma figura em “A Porta do Inferno”, como se estivesse sentado na parte superior da porta observando as pessoas condenadas, abaixo dele. “O Pensador” representava a figura universal rodeada por uma multidão de sombras. Há quem diga que esse homem pensativo presente na seria o próprio Dante, mas outros acreditam que essa não era a intenção de Rodin, já Dante não era musculoso como a escultura. Também foi sugerido que o homem seria um Adão bíblico, contemplando os pecados daqueles que vieram depois dele. A escultura “O Pensador” foi exibida pela primeira vez em 1888 e, em 1904, foi ampliada para um tamanho monumental. Muitas edições de mármore e bronze, inclusive em vários tamanhos, foram criadas durante a vida de Rodin, mas a versão mais famosa é de bronze, tem 1,8 metros e fica nos jardins do Museu Rodin de Paris.

4-O Beijo O Beijo também foi projetada inicialmente como parte de “Os Portões do Inferno”. Representava originalmente Francesco e Paolo, personagens da Divina Comédia, que chegaram ao Inferno depois de serem mortos pelo irmão de Paolo, que era casado com Francesco, quando ele os encontrou se abraçando. Em 1886, Rodin decidiu que a imagem do casal que se abraçava não se encaixava tematicamente na obra maior e decidiu substituir. Os delírios amorosos vividos com Camille Claudel, sua assistente, inspiraram a nova escultura. Mas, sempre crítico, Rodin chegou a dizer que a escultura era “uma grande bugiganga e que apenas seguia fórmula usual”. Só concordou em exibi-la em 1898, desde que sua apresentação fosse ao lado de sua famosa obra Monumento a Balzac.

5-Monumento a BalzacAtualmente, a obra é o maior símbolo mundial do espírito e da criatividade de Balzac. Rodin foi contratado para criar uma escultura do dramaturgo e romancista francês Honoré de Balzac (1799-1850). O escultor retratou Balzac inclinado para trás, parecendo despenteado e vestindo uma capa enorme inspirada no manto que costumava usar ao escrever de noite. Ao invés de concluir em dezoito meses a obra, Rodin precisou de longos sete anos para terminar o trabalho. Ele apaixonou pelo trabalho de Balzac após ler livros, peças, estudar sua personalidade e até visitar a cidade natal de Balzac (Touraine). Chegou a ter roupas semelhantes às de Balzac feitas inclusive pelo antigo alfaiate do escritor. Em 1898, após anos de pesquisa e experimentação, Rodin concluiu o gesso original do qual a estátua de bronze foi posteriormente fundida.

6-Os Burgueses de Calais Em 1885, Auguste Rodin recebeu uma encomenda da cidade de Calais para criar uma obra que comemorasse o heroísmo durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), travada entre a Inglaterra e a França. Essa estátua retrata seis homens rumo à execução. Explico: depois que a cidade de Calais ficou sitiada pelas forças inglesas, o rei Eduardo III (da Inglaterra) ordenou que as chaves da cidade fossem entregues e que seis principais cidadãos de Calais entregassem suas vidas como voluntários para morrer naquele momento histórico. A escultura é marcante pelas expressões, pelo simbolismo e pelo tamanho.

7- São João Batista São João Batista foi um pregador itinerante da Judeia e da Galileia na época de Herodes (28 d.C.). Teve muitos seguidores e pregava dizendo que deveriam exercer a virtude e a retidão, usando o batismo como símbolo de purificação da alma em seu movimento messiânico. Rodin não era religioso, mas quando conheceu um camponês italiano chamado Pignatelli, que se ofereceu como modelo, Rodin imediatamente decidiu criar a obra. Ele disse na época que quando viu o camponês, ficou imediatamente impressionado. “Esse homem áspero e desgrenhado se expressava a violência por meio de seu andar, seus traços e sua força física, mas também todo o caráter místico de sua raça. Imediatamente, pensei em fazer um São João Batista”.

8-The Walking Man Rodin tinha uma tendência para reutilizar moldes antigos e retrabalhar suas ideias anteriores. Esta escultura se chamava “Um Estudo para São João Batista”. Foi criada a partir de um teste de gesso de um par de pernas que estavam sendo usadas na obra em homenagem ao santo. Em 1900, Rodin exibiu a versão resultante em gesso em tamanho natural da escultura e, mais tarde, renomeou essa versão maior de The Walking Man (1907). Trata-se de uma obra que existe apenas por si mesmo, como uma escultura sem contexto. A escultura subverteu a tradição acadêmica contemporânea por ter uma forma totalmente revolucionara para a época: sem braços e sem cabeça. Ao ver a escultura, surge o questionamento: quem decide quando uma obra de arte está concluída?

9-A Catedral Auguste Rodin tinha uma paixão intensa pela expressão das mãos humanas e essa obra explora justamente isso: duas mãos que praticamente se fundem em uma e com dedos que estão prestes a se tocar. Criada em pedra em 1908, a obra tem apenas sessenta e cinco centímetros de altura e trinta centímetros de largura. A obra recebe o nome de Catedral porque o espaço vazio gerado entre as duas mãos se assemelha à estrutura interna de uma catedral gótica. Auguste Rodin tinha a habilidade de explorar temas espirituais profundos por meio de formas ostensivamente simples como um par de duas mãos entrelaçadas. Com “A Catedral” podemos observar o espaço sagrado em que exploramos na vida, na morte e na espiritualidade. Rodin sugere para detectar a vida ou a morte basta olhar para dentro de nós mesmos.

10- Máscara do Homem com o Nariz Quebrado Rodin modelou essa escultura inspirando-se em um trabalhador braçal local chamado ‘Bibi’, que tinha características faciais definidas e nariz quebrado. A obra original seria maior, mas por falta de aquecimento no estúdio, o busto congelou e quebrou, fazendo com que ficasse apenas o rosto.

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Sobre o autor

Keka Consiglio é artista plástica, jornalista e empresária do setor de comunicação. Apaixonada por arte desde criança quando começou a estudar o tema, entregou-se de vez a esse universo ao fazer cursos e visitar museus e exposições, tanto no Brasil como no exterior. Desenvolve uma arte livre, criativa, repleta de cores e de elementos baseados em temas cotidianos, tendo a sustentabilidade presente em todo o seu processo de criação. Curiosa e motivada por desafios, vive e trabalha em São Paulo, produzindo suas coleções a partir de dois estúdios. Instagram: @keka_consiglio_artista. Site: www.kekaconsiglio.com.br


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