Segundos após ter sido borrifada com um líquido desconhecido, a congressista americana Ilhan Omar confrontou seu agressor e prosseguiu com seu discurso em um evento com eleitores em Minnesota, observaram jornalistas da AFP. A representante de origem somali, alvo de constantes ataques de Donald Trump, pedia a demissão da secretária de Segurança Interna após a morte de dois cidadãos americanos em ações de agentes de imigração durante protestos contra as fiscalizações naquele estado.
I want to know every detail about the man who sprayed Ilhan Omar…
including, but not limited to his voter registration, who he’s donated to, what he posts in support of on social media… and whether or not he’s on the chat thread to impede ICE.
pic.twitter.com/ki63jdCOmk— Tim Young (@TimRunsHisMouth) January 28, 2026
+ Agente do ICE tenta invadir consulado do Equador em Minneapolis
O agressor, identificado pela polícia como Anthony Kazmierczak, de 55 anos, conseguiu atingir Omar com o líquido antes de ser imobilizado e expulso do comício na terça-feira, em Minneapolis. A congressista saiu ilesa, segundo as autoridades.
No entanto, antes mesmo da detenção, Omar deu um passo rápido em direção ao agressor com o punho erguido. Em seguida, exortou a multidão a acalmar-se e ouvir sua fala.
“Esta é a realidade que pessoas como esse homem desagradável não entendem: Minnesota é forte e permaneceremos resilientes diante do que tentem lançar contra nós”, disse a congressista no encontro com seus eleitores.
As autoridades não informaram sobre as possíveis motivações do agressor, mas o incidente ocorre em um momento em que Minneapolis se encontra em franca oposição à agressiva campanha de deportações de migrantes sem documentos de Trump.
Antes do incidente, os eleitores de Omar levantaram questões tão variadas quanto a coleta de lixo e a difícil situação do norte da cidade, além de seus temores em relação às fiscalizações migratórias que desencadearam protestos em massa.
Quando ela pedia a renúncia da secretaria de Segurança Interna, Kristi Noem, o homem saltou da primeira fila de assentos da sala. Então, segundo os correspondentes da AFP, ele pareceu lançar o conteúdo de uma seringa, o que provocou queixas pelo mau cheiro.
Dois homens rapidamente o imobilizaram, o que gerou gritos de “Fora, nazistas” enquanto o retiravam do recinto.
Os espectadores ficaram atônitos e recuaram enquanto a confusão se desenrolava em um contexto já tenso em Minnesota, recente alvo da campanha de deportações de Trump.
Omar acusou o magnata republicano de transformar Minneapolis em uma “zona de guerra”, enquanto ele a acusa, sem provas, de corrupção.
Horas antes do episódio, Trump havia atacado, na terça-feira, Omar e a Somália durante um discurso em Iowa, ao dizer que a congressista nascida em Mogadíscio “vem de um país que é um desastre”.
“Não é sobre ele”
“Não é sobre ele, Ilhan”, disse um presente, tentando incentivar Omar a continuar. Inabalável, Omar declarou: “Por favor, não deixem que eles tomem conta do show”.
O suspeito foi detido por agressão de terceiro grau e foi aberta uma investigação, de acordo com a polícia.
Segundo uma testemunha, os presentes se perguntaram: “Isto está mesmo acontecendo?”.
Os fatos levantaram dúvidas sobre as medidas de segurança do evento, onde os expectadores foram revistados, mas a imprensa entrou sem qualquer tipo de controle.
Após o discurso, Omar, a primeira representante somali-americana, publicou na rede social X: “Estou bem”.
“Sou uma sobrevivente, então este provocadorzinho não vai me intimidar a ponto de eu deixar de fazer meu trabalho”, escreveu.