Um confronto entre facções deixou nesta segunda-feira (29) dez mortos e vários feridos em uma prisão do interior do Ceará, informou a secretaria de Justiça do governo local.
“Os internos iniciaram uma briga entre grupos rivais, o que resultou nas mortes”, afirmou a assessoria da Secretaria, detalhando que as forças de segurança já retomaram o controle do centro penitenciário.
Pelo menos dois presos ficaram gravemente feridos e outros – que não foram quantificados – também tiveram ferimentos e foram atendidos em um hospital, mas já voltaram para a prisão, informou a dependência em um comunicado posterior.
Pouco depois do massacre, as forças de segurança retomaram o controle da Cadeia Pública de Itapajé, a 125 km de Fortaleza, e identificaram seis internos como supostos responsáveis pelo crime. Além disso, apreenderam dois revólveres, 38 munições, duas facas, drogas e celulares na penitenciária.
Preventivamente, 44 detentos foram transferidos para outros presídios da região metropolitana da capital.
A tragédia ocorre apenas dois dias após a maior chacina já registrada no estado, quando grupos armados invadiram uma boate em Fortaleza e abriram fogo, deixando 14 mortos e vários feridos.
Um suspeito foi preso e outros cinco foram identificados como participantes do massacre, ocorrido na madrugada de sábado.
O governador do Ceará, Camilo Santana, descreveu o fato como “barbárie” e informou que implementará medidas para combater o avanço das facções que operam na região.
Entre elas, a centralização das unidades de inteligência das forças de segurança e a criação de uma unidade policial para combater o crime organizado.
Segundo a imprensa local, os dois incidentes estariam relacionados. “É a mesma disputa que ocorreu no fim de semana”, disse o presidente do sindicato de trabalhadores do sistema penitenciário do Ceará, SINDASP-CE, Valdemiro Barbosa, ao portal R7.
A Cadeia Pública de Itapajé tem capacidade para 25 pessoas e até agora abrigava 113 detentos, informou o porta-voz do sindicato em declarações ao portal de notícias G1.
A guerra entre traficantes de drogas deixou quatro mortos em um ajuste de contas em 7 de janeiro na periferia de Fortaleza.
O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, com 726.712 detentos, de acordo com os últimos dados oficiais de junho de 2016.
O número é quase o dobro da capacidade das prisões do país, calculada em 368.049 vagas em 2016.
O início deste ano foi marcado por confrontos letais em vários centros penais.
Desde janeiro de 2017, quando a crise penitenciária se agravou com um massacre em um complexo penitenciário em Manaus, a guerra entre grupos rivais nas prisões deixou mais de 100 mortos.
Os principais massacres em prisões no ano de 2017 ocorreram em Manaus (56 mortos) e Roraima (33), seguidos por Natal (26).