Confissões de Thiago Lacerda

Confissões de Thiago Lacerda

Poliana Costa Foto AgNews Será na pele de um médico que Thiago Lacerda vai aparecer novamente na telinha no dia 26 de setembro, quando estreia ?A Vida da Gente?, a nova novela das seis da Globo. ?Ele é humanista com desprendimento estético, material, e um desapego da própria vida em nome da vocação, que é a medicina. E tratar de figuras humanas me interessa muito?. Ele adianta que Lucio, seu personagem, vai se envolver com uma paciente, vivida por Fernanda Vasconcellos. Confira o bate-papo que o galã teve com Gente: Você está usando uma camisa da organização Médico sem Fronteiras. De que forma eles te ajudaram na composição do personagem? Estou com eles há uns cinco meses pesquisando, estudando. Queria experimentar o movimento de voluntariado. E hoje sou doador. Acredito profundamente na capacidade de transformação da ONG, que existe há mais de 40 anos e transforma a vida de milhões de pessoas de forma compromissada e afetiva. Você fez esse contato com eles por causa da novela? Sim. Fiz muitas entrevistas, conheci pessoas envolvidas com a organização. Além dessa pesquisa, fiz outra a respeito dos cirurgiões. Há um tempo estou nas emergências dos hospitais. Assisti a algumas cirurgias dentro de sala e procedimentos de cotidiano. Antes qual era a sua relação com a medicina? Paciente (risos). Eu tinha uma admiração profunda pelo ofício, mas nenhum contato direto com o estudo ou pesquisa. Esse lado humanista surgiu com a paternidade? A paternidade obriga a gente a tirar o olho do próprio umbigo e olhar para o lado. É uma das belezas da vida ter a oportunidade de ter filho. Acho que em relação a essa coisa maior, que é se dedicar a uma causa ou olhar de uma forma mais profunda talvez venha da vontade que eu tenho de dizer para eles: ?Olha, o mundo não é esse universo privilegiado que a gente tem. Existem coisas acontecendo por aí que você precisa saber?. Um dos objetivos que eu tenho na criação dos meus filhos é mostrar coisas que fogem da nossa realidade particular. Na estréia da peça ?Calígula?, você disse que queria descansar um pouco a sua imagem da televisão. Conseguiu? Sempre quero descansar minha imagem (risos). Quando a gente faz televisão, a gente é necessariamente muito exposto. Esse é o meu trabalho. E quando termina uma novela é fundamental o afastamento. Essa é a razão pela qual eu não penduro uma melancia no pescoço e saio desfilando na calçada do Leblon. Ando pelas ruas do Leblon na hora certa, quando tenho o que dizer. Agora que voltou ao trabalho como administra o tempo com seus filhos? É muito complicado lidar, mas não é só para mim que faz novela. Conciliar a vida pessoal com o trabalho na correria que a gente tem hoje, século XXI, é um desafio. A gente tem que produzir porque tem que sobreviver, e é uma arte. Por isso que quando dá um tempo tem que descansar. Tento me dedicar aos meus filhos, mas trabalho sem me lamentar. Até porque se parar de trabalhar enlouqueço. Não dá para ficar só em casa cuidando de filho. Você tem um casal. Pensa em ter mais filhos ou já fechou a fábrica? Não fico fazendo esse tipo de plano. A gente está bem demais com um casal. Adoro a idéia de ter muitos filhos, mas não sei. A novela está abordando também o tema da adoção. O que você pensa sobre isso? Penso em adotar uma criança, até como um movimento de responsabilidade social. Trazer uma pessoa improvável para mais perto de mim. Tenho convicção de que eu tenho condições de passar valores para os meus filhos, dar oportunidades para eles. E sabemos que tem crianças que nascem condenadas a não ter direito, a serem cidadãs. Pelo menos a tentativa acho muito nobre. Só gostaria que o processo de adoção fosse mais civilizado, mais simples, mais fácil, com menos trauma. Essa é uma questão que me interessa e quem num momento oportuno da minha vida eu vou tratar de uma forma muito íntima e pessoal. O que mudou no Thiago Lacerda de ?Terra Nostra? para cá? Quatorze anos (risos). Água mole e pedra dura… É a idade. A gente vai ficando mais velho e vai ficando melhor. Sou um cara mais legal hoje, muito mais interessante do que eu era há quatorze anos. O tempo é muito legal. Adoro a idéia de envelhecer, de ver o tempo passar. O que me angustia é ver o tempo passar e não perceber, não ser capaz de ser seletivo. Quero chegar aos meus 50 anos, olhar para trás e ver como aproveitei o tempo. Me olhar no espelho e pensar: ?Que maneiro! Cabelo branco. Que maneiro estar mais velho?. O tempo não me assusta. O tempo é um aliado que eu faço questão de dar a mão. Não viver é que angustia. Isso tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Mas acho envelhecer o máximo. Siga Gente no Twitter!