Nesta segunda-feira (10), três das principais confederações continentais de futebol – a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Confederação da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) – elevaram o tom das críticas à Fifa e ao seu presidente, Gianni Infantino, em uma carta conjunta. As entidades afirmam que “o futebol não pertence a um único indivíduo ou instituição”, repudiando a postura da entidade máxima do futebol.
- Confederações criticam Fifa e Infantino por quebra de confiança e gestão opaca;
- A manifestação conjunta da Uefa, AFC e Concacaf ocorreu após a polêmica proposta de criação de uma empresa privada para gerir competições, incluindo a Copa do Mundo, que foi posteriormente retirada;
- As entidades acusam a Fifa de “erro de julgamento” e de falha na transparência e prestação de contas, exigindo uma liderança que sirva ao futebol, e não que o domine.
A manifestação das confederações ocorre após a polêmica proposta, posteriormente retirada, de criação de uma empresa com investidores privados para administrar competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo. Para as três entidades, o episódio representa não apenas um problema de procedimento, mas uma quebra de confiança entre a Fifa e as instituições que integram o futebol mundial.
“A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter – ou reivindicar – o poder. É um dever se servir à família do futebol que a confia a você”, afirmaram os representantes das confederações. Eles criticam abertamente o presidente Gianni Infantino, que tem enfrentado crescente pressão em sua gestão.
“Erro de julgamento” e falta de transparência
Segundo as confederações, quando a confiança é quebrada por meio de “engano” e uma pessoa se coloca acima do coletivo que lhe conferiu autoridade, o dever de liderança deixa de ser cumprido. “O futebol é a maior paixão compartilhada do mundo. Ele não pertence a um único indivíduo ou instituição. Pertence aos jogadores, aos torcedores, aos clubes, às federações e a todas as instituições encarregadas de salvaguardar o seu futuro”, acrescentaram.
No documento, Uefa, AFC e Concacaf também contestaram a avaliação da Fifa de que os problemas relacionados à proposta teriam sido resultado de um “erro de comunicação”. Para as entidades, o episódio foi, na realidade, um “erro de julgamento”.
De acordo com a carta, a proposta foi apresentada em um prazo considerado excessivamente curto, sem consultas adequadas e com um cronograma que teria dificultado a análise de seus termos pelas associações. Para as confederações, as circunstâncias indicam que não houve apenas um descuido, mas uma estratégia que teria limitado a supervisão sobre a operação.
As entidades afirmam ainda que a Fifa não reconheceu que a própria proposta de vender uma participação nos direitos da Copa do Mundo apresentava um problema fundamental. “Não houve reconhecimento de que a proposta em si era fundamentalmente falha”, dizem. Na avaliação, a tentativa representou uma “quebra fundamental de confiança” nas instituições que a Fifa deveria proteger.
Ações da Fifa são adequadas para o esporte?
A carta também questiona uma reunião recente envolvendo um grupo selecionado de integrantes do comitê diretivo da Fifa, que teria ocorrido no exterior, em vez de os principais dirigentes se deslocarem a Zurique para dialogar com a equipe da própria entidade. Para Uefa, Concacaf e AFC, a escolha reforça as preocupações sobre a forma como a Fifa vem sendo conduzida.
“Esse não é o comportamento de alguém que atua como guardião do futebol, mas sim de alguém que acredita que o futebol deve prestar contas a si mesmo”, afirmam as confederações. As três entidades ressaltam ainda que sua posição não representa uma tentativa de reabrir decisões já tomadas coletivamente, como a expansão das competições ou a distribuição de vagas para a Copa do Mundo. Para elas, essas decisões devem continuar válidas.
A questão central, afirmam, é “mais fundamental”: a integridade do futebol e a integridade daqueles que foram eleitos para liderá-lo. Por fim, as três entidades afirmam que a unidade do futebol deve ser acompanhada de transparência e prestação de contas. “Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, e distanciamento onde deveria haver transparência”, dizem.
O texto ressalta que essas não são características compatíveis com a liderança que consideram adequada para o futebol mundial: “É por isso que assumimos esta posição: não de forma leviana nem isolada, mas em conjunto e por um senso de dever para com o esporte que servimos”. Para as confederações, “a força do futebol sempre foi a sua unidade”. “Exigimos que essa unidade seja honrada agora com uma liderança que sirva ao futebol, em vez de tentar dominá-lo”, finalizaram.