Depoimentos de babá e enteada foram decisivos para condenação de Jairinho, diz TV

Ex-vereador foi sentenciado a mais de 43 anos de prisão; mãe de Henry recebeu perdão judicial, gerando controvérsia

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Depoimentos cruciais da babá de Henry Borel e da filha de uma ex-namorada de Jairo Souza Santos Junior, o Jairinho, foram decisivos para a condenação do ex-vereador pela morte do menino de 4 anos. A decisão foi proferida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, conforme revelado pelo Fantástico, da Rede Globo.

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O que aconteceu

  • A condenação de Jairinho a 43 anos de prisão por homicídio doloso qualificado e tortura contra Henry Borel foi impulsionada por relatos de agressões prévias.
  • A mãe de Henry, Monique Medeiros, teve a imputação de homicídio doloso desclassificada para culposo por omissão e recebeu perdão judicial por tortura.
  • O pai de Henry e o Ministério Público do Rio de Janeiro prometem recorrer da decisão, especialmente em relação ao perdão concedido a Monique.

A filha de uma ex-namorada de Jairinho, que hoje tem 18 anos, afirmou ter sofrido agressões quando tinha apenas 5. Durante o julgamento, a jovem relatou que o ex-vereador a levava para um motel e a afundava em uma piscina, dizendo: “Ele ficava me afundando até eu encostar no chão. E aí me soltava. Eu respirava, e ele me afogava de novo com o pé dele, me empurrando. Até o chão, várias vezes”.

Natasha Machado, mãe da jovem, contou que só descobriu as agressões um ano após o término do relacionamento com Jairinho. “A única coisa que eu podia fazer era procurar o pai do menino e dizer para ele não desistir”, afirmou.

Detalhes da condenação de Jairinho

O julgamento, que teve início em 25 de maio de 2026 e se estendeu até a madrugada de 4 de junho, resultou na condenação do ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, o Jairinho, por homicídio doloso qualificado e tortura praticados contra seu enteado, Henry Borel, de quatro anos de idade.

Jairinho foi sentenciado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão, com regime inicial fechado em Bangu.

A defesa de Jairinho anunciou que apresentará recurso, buscando a anulação do julgamento sob o argumento de que os jurados não consideraram as provas favoráveis a ele nos autos.

Qual a situação de Monique Medeiros?

Em relação à mãe da vítima, Monique Medeiros da Costa e Silva, os jurados desclassificaram a imputação de homicídio doloso qualificado por omissão para homicídio culposo por omissão. Ela foi condenada por tortura por omissão, mas beneficiada com o perdão judicial referente ao delito culposo.

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos. Laudos periciais apontaram hemorragia interna e laceração do fígado, causadas por ação contundente.

O papel da babá no caso Henry Borel

A babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, relatou três episódios de tortura contra o menino. Inicialmente acusada de falso testemunho, ela revisou suas declarações e sua versão se tornou crucial para a condenação.

No primeiro incidente, ocorrido em 2 de fevereiro de 2021, Thayná enviou mensagens ao namorado relatando que Jairinho havia se trancado no quarto com Henry. No segundo, em 12 de fevereiro de 2021, imagens mostraram o menino mancando após ficar sozinho com o padrasto. Jairinho e Monique foram condenados especificamente por este segundo episódio.

Os réus foram absolvidos de uma terceira acusação devido à falta de registros que confirmassem que Monique havia sido alertada pela babá.

Reações e recursos

O engenheiro Leniel Borel, pai de Henry, expressou que o perdão concedido a Monique representa a “terceira morte de Henry”, alertando que tal precedente poderia encorajar outras mães a permitir a morte de seus filhos. Leniel prometeu que seus advogados entrarão com recursos para anular o julgamento.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) protocolou na Justiça um recurso solicitando a anulação do julgamento.

O promotor entende que houve uma irregularidade na votação provocada por uma pergunta aos jurados: se a omissão de Monique – sua inércia diante das agressões sofridas por Henry – teria sido dolosa em relação ao homicídio. Ele defende a tese de que o júri votou favoravelmente ao entendimento de que a omissão se referia ao homicídio doloso, o que alteraria o resultado final do julgamento.

*Com Estadão Conteúdo