Internacional

Condenação exemplar

Nicolas Sarkozy é o primeiro ex-presidente francês a ser condenado por corrupção por crimes cometidos durante o mandato. O político ainda é investigado em outros casos que devem minar qualquer candidatura futura. A dura decisão judicial é um aviso a outros poderosos

Crédito: Michel Euler

ENCRENCADO Ex-presidente tem 10 dias para recorrer da decisão: ele cumprirá a pena em casa com tornozeleira eletrônica (Crédito: Michel Euler)


ESQUEMA Sarkozy também é investigado por receber dinheiro do ditador Muammar Gaddafi, morto na Primavera Árabe (Crédito:MAHMUD TURKIA)

Em 1793, no auge da Revolução Francesa, o rei Luís XVI perdeu a cabeça na guilhotina após ser condenado por alta traição ao tentar escapar do país. Dois séculos depois, a França volta a ser notícia no mundo por condenar o ex-presidente Nicolas Sarkozy por tráfico de influência e corrupção durante o período em que ocupou o Palácio do Eliseu, entre 2007 a 2012. O julgamento é histórico, mesmo não sendo a primeira condenação de um ex-presidente: Jacques Chirac, antecessor de Sarkozy, também foi condenado por corrupção, por crimes relacionados ao período em que foi prefeito de Paris e nunca foi preso. Mas, dessa vez, o Tribunal Criminal de Paris entendeu que houve um “Pacto de Corrupção” entre Sarkozy, seu advogado Thiery Herzog e o ex-magistrado Gilbert Azibert. Os três usaram suas posições privilegiadas para obter vantagens indevidas e criaram um esquema que atinge até a gigante dos cosméticos L’Oréal. Eles teriam se aproveitado da frágil saúde mental da herdeira da marca, Liliane Bettencourt, para obter doações e assim financiar sua campanha à presidência. Todos os envolvidos receberam a mesma sentença na última segunda-feira, três anos de prisão, sendo dois deles suspensos pelo tribunal. Sarkozy tem um prazo de dez dias para recorrer da decisão e então passará a cumprir a pena em casa com tornozeleira eletrônica.

Corrupção à francesa

As denúncias vieram à tona quando os telefones de Sarkozy foram grampeados em 2013 para investigar outro crime: o recebimento de dinheiro sujo do ditador Líbio, Muammar Gaddafi, morto durante a Primavera Árabe. Apesar de ter sido indiciado, ainda não há provas de que realmente tenha ocorrido algum financiamento oculto por parte do antigo ditador da Líbia, apesar dos dois terem sido próximos. Para o cientista político e coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais da Faculdade Mackenzie de Brasília, Márcio Coimbra, as acusações impressionam, pois o cargo da presidência na França sempre foi visto como “imperial”. A França é um dos países mais ricos do mundo e um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e não é comum que países desse calibre tenham ex-presidentes na cadeia. “A posição é muito respeitada, há toda uma liturgia que os presidentes seguem e supostos crimes sempre foram colocados embaixo do tapete para respeitar o cargo”, diz. Ele explica ainda que o momento da condenação de Sarkozy envolve uma forte tensão política, já que assim como no Brasil e nos EUA, o país enfrenta uma forte polarização entre esquerda e direita. “Por ser de centro-direita, Sarkozy ou seu partido, os Republicanos, poderiam ser uma boa opção de centro para as eleições de 2022”, explica.

Sarkozy, que sempre foi uma figura polêmica no país, principalmente por seu ar de comediante, baixa estatura à la Napoleão e o casamento com a cantora Carla Bruni, afirmou que está disposto a ir ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos denunciar a França, para provar que é inocente e vítima de perseguição. “Seria doloroso conseguir que meu próprio país fosse condenado, mas estou disposto a isso porque esse seria o preço da democracia”, disse ao jornal “Le Figaro”. Vale lembrar que Sarkozy é reu em mais uma investigação: a de que teria recebido financiamento ilegal, o famoso caixa dois, durante sua campanha derrotada para a reeleição em 2012. A justiça investiga também se o político teria atuado como lobista em prol de empresas russas e até em favor do governo de Vladimir Putin. “Para a política francesa, o impacto da decisão é significativo. A situação abre precedentes para que outras lideranças sejam investigadas e Sarkozy perde reputação e credibilidade, o que é uma vergonha nacional”, explica a cientista política Juliana Fratini. Carla Bruni, contudo, não deve pedir o divórcio e abandonar o barco. A ex-primeira dama publicou uma imagem romântica ao lado do marido em seu Instagram com a legenda: “Que insanidade interminável, meu amor. A batalha continua e a verdade virá.” O próximo julgamento, pelo caixa dois em 2012, está marcado para o próximo dia 17.

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