Conclave que elegeu Leão XIV teve celular e reclamações por banheiro

CIDADE DO VATICANO, 2 MAR (ANSA) – Um livro sobre os bastidores do conclave que elegeu o papa Leão XIV, lançado recentemente em inglês, revelou diversas histórias curiosas sobre os cardeais que participaram de um dos momentos mais secretos da Igreja Católica.   

Escrita pelos jornalistas Elisabetta Piqué e Gerald O’Connell, a obra, intitulada “O Conclave nos Bastidores: Relatando Algumas Anedotas da Eleição de Leão XIV”, revela que um cardeal idoso esqueceu o celular no bolso, e o aparelho foi detectado pelos sistemas de segurança.   

Na ocasião, o religioso tirou o celular e o entregou a um segurança, mas a cena foi descrita pelos autores como “inimaginável, mesmo para um filme”. Durante a reunião, os cardeais se isolam do mundo, renunciando a todos os dispositivos eletrônicos, antes de votarem diante do afresco “O Juízo Final”, de Michelangelo, na Capela Sistina.   

Sem celulares para usar como despertadores, alguns cardeais corriam o risco de perder a hora em seus quartos na Casa Santa Marta, a hospedaria onde permaneceram durante o conclave. O Vaticano, por sua vez, decidiu fornecer a cada um deles despertadores, para garantir que chegassem à Capela Sistina no horário correto.   

O uso do toalete também foi um tema sensível durante o processo de eleição de Robert Francis Prevost, pois vários cardeais reclamaram da falta de banheiro na capela. Para resolver o problema, os participantes precisavam ser acompanhados até um banheiro externo por um jovem cardeal diácono.   

“É como voltar ao jardim de infância”, disse um dos religiosos aos autores do livro.   

De acordo com a reconstrução feita pelos dois jornalistas, na primeira votação do conclave, realizada em 7 de maio, Prevost já havia recebido entre 20 e 30 votos, enquanto o filipino Luis Antonio Tagle, considerado um dos favoritos antes da eleição, tinha menos de 10.   

No dia seguinte, o asiático estava sentado ao lado do americano enquanto os votos finais do conclave eram contados e ofereceu ao futuro Papa uma pastilha, talvez para amenizar a emoção do momento. (ANSA).