Como ter o controle financeiro da sua empresa – Parte I: balanço patrimonial

Crédito: Pixabay

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Não precisa ser economista ou contador para ser empreendedor, mas é importante entender o básico para gerir sua empresa e não cair em armadilhas. A boa gestão financeira garante que sua empresa se perpetue no tempo. Afinal, como Edward Deming nos ensinou, o que não se mede não se gerencia.

Podemos resumir gestão financeira em três grandes relatórios:

5 dicas para que você se torne um empreendedor de sucesso

Balanço patrimonial: traz uma fotografia de onde os recursos da empresa estão aplicados e a “origem” destes recursos;

Demonstrativo de resultado do exercício (DRE): apura a eficiência da operação, mais conhecido como lucro líquido;

Fluxo de caixa: apura o que realmente importa para o empreendedor, quanto a empresa está gerando de capital líquido, mais conhecido como “dindin na conta”.

Esses relatórios foram criados para gestão de empresas, mas nada impede de usá-los para controle de suas finanças pessoais. As lições que eles deixam também servem para seu CPF, assim como para seu CNPJ.

Por tratar-se de relatórios robustos, dividimos este conteúdo em três partes. A primeira parte vai focar no balanço patrimonial. Começamos por ele, pois esse é imprescindível para a compreensão dos outros dois relatórios que citamos.

Acompanhe nossa coluna que em breve publicaremos como construir e interpretar os relatórios DRE e fluxo de caixa.

 O balanço patrimonial

Esse relatório é obrigatório para qualquer empresa e um contador é necessário para sua apuração. Então não se preocupe, seu contador irá auxiliá-lo na construção do balanço do seu negócio. O importante é você entender o que ele informa, para que tome boas decisões em relação aos seus recursos.

O principal insight que o balanço traz é o quanto você está endividado, e se este endividamento é saudável ou não. Atenção, endividamento aqui não significa devedor, mas sim obrigações que a empresa precisa cumprir. Além de dar uma ideia de tamanho da empresa. Quanto maior o seu ativo, maior sua empresa.

O balanço patrimonial é formado por três grandes grupos: ativo, passivo e patrimônio líquido. Para facilitar a compreensão, separo a denominação patrimônio líquido de passivo, mas teoricamente o patrimônio líquido é uma conta do passivo.



 Ativo

Engloba tudo o que a empresa utiliza para realizar sua operação de forma ativa, ou seja, todos bens e direitos patrimoniais que a empresa possui. Uma forma simples de compreender o conceito de ativo é se perguntar: eu consigo transformar esse item em dinheiro? Se a resposta for sim, é um ativo.

Exemplos de ativo são: estoque, você pode vender e transformar em dinheiro, logo é um ativo; contas a receber, você pode cobrar e as duplicatas serão transformadas em dinheiro, portanto é um ativo; carros ou outros imobilizados da empresa, podem ser vendidos e transformados em dinheiro, então é classificado como ativo. Claro, o próprio dinheiro que sua empresa tem, na conta do banco ou fisicamente em um cofre, também é classificado como um ativo.

Passivo

Qualquer negócio precisa de recursos para compor seus ativos. Existem duas formas de obtê-los; através de capital próprio ou de recursos de terceiros, ou seja, pessoas ou empresas que não participam do CNPJ de sua empresa. Os recursos de terceiros devem constar no passivo, e os recursos próprios no patrimônio líquido.

Um modo fácil de assimilar o conceito de passivo é lembrar que esses são ativos de outras pessoas e empresas e, portanto, estão passivos de serem exigidos.

Exemplos: contas a pagar, em algum momento essas serão cobradas e você terá que quitá-las, assim é considerado passivo; dívidas bancárias, o pagamento será exigido, entra no passivo. Ou seja, tudo que pode vir a ser cobrado do seu negócio em algum momento.

Patrimônio líquido

O patrimônio líquido, como compõe o passivo da empresa, dita também a “origem” dos recursos que a empresa buscou para compor seu ativo, porém trata dos recursos próprios. Sendo assim é composto por recursos aportados por sócios, ou mesmo advindos do lucro com a venda dos produtos ou serviços.

Exemplos: capital social é o aporte que os sócios fazem para abrir a empresa, logo é patrimônio líquido. O lucro acumulado nos anos de operação é um recurso da empresa, logo é patrimônio líquido.

Regras gerais do balanço patrimonial

Existem algumas regras universais que regem o balanço patrimonial, vamos conhecê-las:

– Todo balanço tem que bater. O que quer dizer isso? Todos os seus ativos devem ser financiados por terceiros ou por capital próprio. Logo, ativo sempre será igual ao passivo, somado ao patrimônio líquido.

– Todas as contas do balanço patrimonial devem estar em ordem de liquidez, do mais líquido ao menos líquido. Liquidez dita sobre o quão rápido ou fácil é transformar aquela conta em dinheiro. Por exemplo, caixa é mais líquido que estoque, uma vez que você pode transformá-lo rapidamente. Dinheiro você usa a qualquer hora, estoque você tem que comercializar para virar recurso financeiro. Por isso, iremos encontrar as nomenclaturas circulantes e não circulantes como medida de liquidez.

Como analisar o balanço

Existem três formas de analisar um balanço patrimonial:

Análise horizontal: analisa o quanto cada conta do balanço varia percentualmente de um período para o outro.

Análise vertical: nos mostra quanto determinada conta representa do total de sua categoria.

Indicadores financeiros: que buscam resumir determinado aspecto importante da composição do balanço. Teremos oportunidade de ver alguns indicadores importantes no final desta série, mas ainda é cedo para olharmos. Então peço um pouco de paciência, chegaremos lá.

Vamos ver cada uma com um exemplo prático? Abaixo temos o balanço patrimonial resumido do segundo semestre de 2021 da Petrobras.

Primeiramente, podemos ver na última linha, o balanço bate.

O ideal é começarmos pela análise vertical e depois seguirmos para a horizontal, pois assim já saberemos quais são as contas mais importantes.

Análise Vertical

Esta nos mostra o quão importante é determinada conta, ou seja, quanto ela representa do total, com isto conseguimos ter uma boa visão da composição dos ativos e passivos da empresa.

Calculamos a análise vertical dividindo o valor da conta pelo total da categoria.

Assim, temos:

Note que o ativo é composto muito mais por ativos não circulantes, 84%, do que circulantes, 16%. Além disto, a maior parte do circulante é composto por caixa – ativos líquidos, 5%, e estoque – derivados de petróleo, no caso Petrobras, 4%.

Já o não circulante é basicamente imobilizado, equivalente a 67%, o que faz sentido, pois nessa conta estão todas as refinarias e plataformas de extração da empresa.

Vamos olhar o passivo, vemos que que a Petrobras possui obrigações mais com terceiros do que com acionistas, 62% contra 38%, o que é comum na maioria das empresas. Seu passivo não circulante é também maior que o circulante, mostrando que seu endividamento é em maior parte de longo prazo.

Comprando agora os dois grupos, ativo e passivo, primeiro vemos que o patrimônio líquido é positivo, o que mostra que a empresa possui ativos para cumprir com todas suas obrigações com terceiros, o que é bom.

Segundo o ativo circulantes é maior que o passivo circulante (16% contra 12%), logo a empresa dispõe de capacidade de cumprir com todas suas obrigações de curto prazo, mais um ponto positivo para a empresa. Caso víssemos o contrário, teríamos motivos para preocupação e a companhia deveria então buscar alongar seu endividamento, renegociando com credores, ou buscar ativos mais líquidos, vendendo imobilizados ou diminuído prazo de investimentos ou parcelamento a clientes.

Compreendemos quais as contas mais importantes no nosso exemplo, vamos agora para a análise horizontal do balanço patrimonial.

Análise horizontal

Aqui já estamos olhando para quanto uma conta cresceu ou reduziu de um período para outro.

A forma correta de calcular a variação é dividirmos o período atual pelo anterior e subtrair 1.  Note que o resultado será a variação percentual da conta.

Assim, chegamos ao seguinte resultado:

A primeira análise já nos mostra que a empresa reduziu de tamanho em 5%, pois seu ativo total foi reduzido em 5%. Note que esta redução se deu por causa da conta não circulante que sofreu uma retração de 7%, ou seja, os ativos realizáveis a longo prazo foram reduzidos nesse percentual. Isso demonstra um aumento da liquidez da empresa.

Olhando no detalhe vemos que a maior redução percentual aconteceu em impostos diferidos e investimentos, respectivamente -92% e -39%. Agora, para conseguirmos analisar de forma completa vamos explorar conjuntamente as análises vertical e horizontal, o que é chamado de análise combinada.

Análise combinada

Com esse retrato, temos todo o poder de análise em nossas mãos. Vemos tanto a importância de cada conta, período a período, como a variação de cada conta entre os dois períodos em questão.

Agora, voltamos para seu negócio, com a análise combinada em mãos você conseguirá tomar melhores decisões sobre onde alocar recursos, e com que prazo devem ser alocados para manutenção da saúde financeira da sua empresa.

Espero que tenha gostado, nos acompanhe para mais dicas sobre gestão e para as próximas partes deste conteúdo importante para controlar suas finanças. Até a próxima.

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Sobre o autor

Hanna Hiar é consultor em estratégia empresarial, formado em economia com pos-graduação em gestão de negócios. Curioso por natureza, busca constantemente novos métodos e melhores práticas para auxiliar seus clientes na construção de empresas sólidas e rentáveis. Contato: Hannawhn@gmail.com


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