Como ter o controle financeiro da sua empresa parte 3 (Fluxo de Caixa)

Crédito: Pexels

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Continuando nossa série sobre gestão financeira, hoje vamos falar sobre o fluxo de caixa, mas antes vamos lembrar de todos os relatórios que falamos nesta serie?

Podemos resumir gestão financeira em três grandes relatórios;

Balanço patrimonial: traz uma fotografia de onde os recursos da empresa estão aplicados e a “origem” destes recursos.

Demonstrativo de resultado do exercício (DRE): apura a eficiência da operação, mais conhecido como lucro líquido.

Fluxo de caixa: apura o que realmente importa para o empreendedor, quanto a empresa está gerando de capital líquido, mais conhecido como “dindin na conta”.

Vamos saber mais sobre o Fluxo de caixa? Realizar a análise de fluxo de caixa é muito importante para o controle e gestão do seu dinheiro. Dado que ele mostra o quando você está gerando de ativos líquidos. Diferente do DRE e balanço patrimonial, esse relatório não é um documento obrigatório para empresas de pequena e médio porte.

Caso esteja procurando lições do mundo empresarial que podem servir para suas finanças pessoas, essa forma de controle é a mais indicada para gestão e acompanhamento de seus recursos pessoais.

Antes nos aprofundarmos no fluxo de caixa precisamos entender a diferença entre regime de competência e regime de caixa.

Regime de competência e regime de caixa

Os relatórios DRE e balanço patrimonial seguem o regime de competência. Somente o caixa segue o regime de caixa. Mas qual a diferença?

O regime de competência leva em conta o período em que o fato foi gerado, portanto, não importa quando será recebido ou pago, mas sim quando foi formalizado a operação. Em contraposição, o regime de caixa considera a data de movimentação do recurso, ou seja, data de pagamento ou recebimento.

Vamos ver um exemplo para elucidar a diferença entre os dois conceitos. Imagine que você compra um computador de R$ 6.000,00 em setembro em três vezes no cartão. O regime de competência leva em conta a data de emissão da nota fiscal, setembro, e o lançamento do valor será o montante total. Assim, no balanço patrimonial de setembro deverá ter um lançamento de R$6.000,00 em ativos e o mesmo valor em contas a pagar.

Porém o regime de caixa desconsidera a data em que o gasto foi realizado ou mesmo da emissão da nota fiscal. Ele só será alterado na data de pagamento, ou seja, R$2.000,00 em outubro, em novembro e em dezembro. O lançamento deve ser executado depois que o valor sair da conta corrente.



Quando pensamos em todos os lançamentos que devem ser efetuados, o montante de trabalho pode se tornar assustador. Mas não se preocupe, atualmente mesmo os ERP gratuitos possuem ferramentas para gestão de caixa, logo você poderá contar com a tecnologia para auxiliá-lo neste relatório.

Agora sim, dito isto podemos nos aprofundar nessa análise tão importante.

Para melhor avaliação, recomendamos segmentar o fluxo de caixa em três grupos; o fluxo operacional, o fluxo de investimento ou desinvestimento, e o fluxo financeiro. Essa segmentação é importante para facilitar a análise e te levar a conclusões mais assertivas. Vamos compreendê-los separadamente para depois analisarmos com profundidade o conjunto.

Fluxo de caixa operacional

O fluxo de caixa operacional abrange somente entradas e saídas que tenham relação direta com a operação do seu negócio. Assim pagamentos para fornecedores de matéria prima, funcionários, materiais de escritório, impostos, conta de luz, entre outros devem ser contabilizadas como saídas no fluxo de caixa operacional. Isso vale também para as entradas, considere apenas recebimentos advindos de clientes, gerados por vendas de seus produtos ou serviços da empresa.

Esse grupo aponta se a empresa gera ou denigre caixa em sua operação, o que torna ele o melhor indicador da qualidade do seu negócio.

Fluxo de caixa de investimento ou desinvestimento

Esse segmento do fluxo contempla entradas e saídas relativas a investimentos, como compra de ativos imobilizados, máquinas, terrenos e outros. Note que quando você paga por estes ativos uma saída será lançada.

Quando você vende e recebe estes ativos será uma entrada e consideramos um desinvestimento, ou seja, você está diminuindo os investimentos na empresa.

Esta conta nos mostra uma ideia do como a empresa está agindo para garantir o seu futuro. Em muitos casos uma empresa que está com o saldo desta conta negativo, possivelmente está buscando maiores gerações de caixa operacional no futuro. Já um negócio que está com este saldo positivo, logo realizando um desinvestimento, provavelmente está precisando de caixa e está sacrificando fluxos futuros para manter o fluxo presente.

É imprescindível destacar que estas conclusões não são diretas. Uma empresa pode estar com saldo positivo nesta conta, mas não estar necessitando de caixa. Talvez só esteja se desfazendo de investimentos para alterar portfolio de ativos, ou realizando alguma mudança estrutural em sua operação. Por exemplo, está vendendo máquinas antigas, para posteriormente comprar máquinas mais novas.

A análise conjunta com o fluxo de caixa operacional nos trará luz sobre o que está acontecendo.

Fluxo de caixa financeiro

Aqui devemos contabilizar todas entradas e saídas relacionadas a ativos financeiros, como captação de recursos ou pagamento de empréstimos. Essa conta nos mostra se empresa está se endividando ou não para arcar com suas contas de investimento ou da sua operação por isto sempre será o último bloco do relatório.

Vamos ver alguns exemplos para elucidar os conceitos?

Analisando o fluxo de caixa

O primeiro exemplo é o de uma empresa saudável e buscando crescimento através de investimentos financiados a longo prazo por capital de terceiros. Desenhamos este fluxo imaginando uma empresa que investiu em um novo sistema de vendas para aumentar suas vendas em 25% por mês por um ano. Para fazer este investimento ela precisou contratar um empréstimo no valor do investimento. Podemos verificar isto nas linhas E.1 e G.1.

Podemos ver que a geração de caixa operacional da empesa é positiva (linha E), mostrando que o negócio está com uma operação saudável e rentável.

A empresa queria aumentar sua rentabilidade e para isto fez um investimento que de fato aumentou seu fluxo de caixa operacional (linha D) nos meses posteriores. Para fazer este investimento a empresa buscou um empréstimo, mas o pagamento deste não comprometeu seu fluxo de caixa líquido ou saldo em conta (linha L) e aumentou a geração de caixa líquida (linha J).

Logo este empresário está aumentando seu saldo bancário, financiado por terceiros.

Mas nem sempre a vida é um mar de rosas, por isto vamos para o segundo exemplo. E se o investimento não fosse como esperado e ao invés de aumentar as vendas em 25% por mês, aumentasse somente em 10%?

Vemos neste caso que a geração de caixa operacional, continua positiva, ou seja, a empresa continua sendo rentável e um bom negócio. Inclusive o investimento aumenta a geração de caixa.

Porém o negócio estará em maus lençóis ao fim do ano, pois seu fluxo de caixa é consumido pelos empréstimos que a empresa pagará. Este é o famoso caso da ‘armadilha da liquidez’. Esse tema vale um artigo a parte, mas por enquanto, de forma simplificada considere que isso ocorre quando a empresa, mesmo sendo rentável, vai a falência por falta de capital para arcar com suas contas.

Por último vamos ver um caso típico que gostamos de chamar de ‘falso positivo’. Olhando para o saldo bancário podemos acreditar que a empresa está indo muito bem, quando na realidade está a caminho do abismo.

Vejam que o saldo bancário da empresa está melhor do que em seu início. A empresa começa o ano com R$ 100 mil em caixa, e termina com R$ 192 mil. Considerando somente estes números, podemos acreditar que o negócio vai muito bem.

Mas vamos olhar detalhadamente, a geração de caixa operacional da empresa está cada vez mais negativa, mostrando que ela está operacionalmente sangrando. Para resolver o problema e pagar seus compromissos ela começa a vender seus ativos imobilizados para pagar contas. O futuro disto você pode imaginar. Sem ativos para gerar receita, será questão de tempo para ser mais uma empresa nas estatísticas de falência.

Por isto, separar o fluxo de caixa é tão importante. Assim você verá exatamente o que está acontecendo com a empresa.

Cabe lembrar que as análises verticais e horizontais apresentadas anteriormente também podem ser aplicadas ao fluxo de caixa para facilitar a análise do caixa.

Espero que tenha gostado, acompanhe nossa coluna para mais ferramentas para ajudá-lo com sua empresa e finanças pessoais. Até a próxima.

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Sobre o autor

Hanna Hiar é consultor em estratégia empresarial, formado em economia com pos-graduação em gestão de negócios. Curioso por natureza, busca constantemente novos métodos e melhores práticas para auxiliar seus clientes na construção de empresas sólidas e rentáveis. Contato: Hannawhn@gmail.com


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