Cultura

Como James Bond

Na incrível biografia “Uma Mulher Sem Importância”, Sonia Purnell relata a saga de Virginia Hall, a espiã que tinha licença para matar

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DISFARCES Virginia Hall: amor pelos animais e mudança constante de aparência (Crédito: Divulgação)

O nome dela era Hall, Virginia Hall. Sua história é tão surpreendente que fica difícil entender como ela permaneceu desconhecida até agora. A socialite americana que virou espiã britânica foi a primeira mulher a se infiltrar como agente secreta na França ocupada, tornando-se uma peça chave para virar a Segunda Guerra a favor dos Aliados. Ela treinou células de resistência para operações de sabotagem e guerrilha, explodiu pontes e provocou até o descarrilamento de um trem de carga – tudo isso com uma prótese de madeira no lugar da perna esquerda.

A “dama que manca”, assim chamada pelos nazistas, era considerada uma ameaça fatal pela Gestapo. “Ela é a mais perigosa de todos os espiões aliados. Devemos encontrá-la e destruí-la”, diz um comunicado oficial de 1942, emitido da polícia secreta de Adolf Hitler. Essa história incrível acaba de sair em livro. “Uma Mulher Sem Importância – A História Secreta da Espiã Americana Mais Perigosa da Segunda Guerra Mundial” é a nova obra de Sonia Purnell, conhecida pelas biografias de Clementine Churchill, esposa de Winston Churchill, e de Boris Johnson, atual primeiro-ministro britânico. Segundo a autora, Virginia era obcecada pela derrota dos nazistas, e não se importava em arriscar a vida para atingir os objetivos da missão. Mudava constantemente de aparência e gostava de “operar nas sombras”. “Mesmo após tanto tempo, foram necessários três bons anos de trabalho de detetive para rastrear sua história”, diz a autora na introdução. “Minha busca me levou por nove níveis de liberação de segurança na Inglaterra e nos EUA. Virginia era uma heroína real que seguia em frente quando tudo parecia perdido.”

É fácil compará-la a James Bond. Mas enquanto o glamouroso personagem de Ian Fleming dirigia um Aston Martin, ela viajava de trem, bonde e, apesar da deficiência, a pé. Graças às suas táticas bem sucedidas, há cada vez mais mulheres trabalhando nos serviços secretos hoje em dia. Foi a mulher civil mais condecorada da Segunda Guerra – segundo estimativas, Virginia e sua equipe capturaram quinhentos oficiais alemães e mataram outros 150 – assim como seu colega na ficção, James Bond, Virginia Hall também tinha licença para matar.

Lançamento

A temida ‘Dama que Manca’
O apelido foi dado pelos nazistas devido a sua prótese de madeira – aos 27 anos, ela tropeçou em uma caçada e atirou no próprio pé