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Como Geórgia e Moldávia podem influenciar guerra na Ucrânia

SÃO PAULO, 16 MAI (ANSA) – Por Tatiana Girardi – Enquanto a guerra na Ucrânia se prolonga, começa a ganhar forma o temor de que o conflito se estenda para áreas separatistas pró-Rússia na Geórgia e na Moldávia, outras duas ex-repúblicas soviéticas que lidam com movimentos rebeldes.   

Palco de ataques com drones e explosivos no fim de abril, a região da Transnístria declarou independência da Moldávia em 1992, mas nunca foi reconhecida pela comunidade internacional.   


Já os movimentos separatistas de Ossétia do Sul e Abkházia, que se autoproclamaram independentes da Geórgia em 2008, voltaram a pressionar politicamente por sua anexação pela Federação Russa.   

Para o historiador da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro “Os Russos”, Angelo Segrillo, esses movimentos podem ter impacto na guerra russo-ucraniana.   

“A situação na Transnístria parece estar seguindo o roteiro da Ucrânia, com provocações (talvez uma ‘operação de bandeira falsa’) para justificar que forças russas possam operar da Transnístria para ‘espremer’ os ucranianos entre a Transnístria e o leste da Ucrânia dominado pelos russos”, disse Segrillo à ANSA.   

Questionado se acredita que uma guerra possa eclodir na Moldávia, o especialista respondeu que, “potencialmente, sim”.   

“Mas, no momento, acredito que uma mobilização na Transnístria tenha mais a ver com auxiliar os russos contra os ucranianos do que em promover uma imediata ameaça à Moldávia”, ressaltou.   

Sobre a Geórgia, Segrillo pontuou que, assim como a Transnístria, o que vai ocorrer dependerá da guerra na Ucrânia.   

“Acredito que, em um primeiro momento, a Rússia, por estar tão ocupada com a Ucrânia, não vai abrir outras frentes de conflito que possam atrapalhá-la em seus planos de consolidar os ganhos no leste da Ucrânia”, destacou.   

União Europeia – Após a invasão de 24 de fevereiro, Geórgia, Moldávia e Ucrânia já formalizaram seus pedidos de adesão à União Europeia, o que serviria como uma possível proteção contra futuros ataques russos.   

No entanto, o processo de entrada no bloco europeu costuma ser longo e cheio de etapas. “O problema é ver se a União Europeia estará disposta a aceitar novos membros ‘a toque de caixa’, passando por cima dos demorados requisitos de democratização e transparência para acesso ao bloco”, explicou Segrillo.   

“Tudo dependerá do desenrolar da guerra. Em um cenário mais extremo, a Rússia ficará alienada e em posição belicosa em relação ao cerne europeu da UE, com um constante clima de ameaça de guerra”, acrescentou.   

Para o historiador, o saldo real da guerra será ver a China como vencedora. “A Rússia estará enfraquecida pelas sanções econômicas e cada vez mais dependente da China, e o Ocidente estará enfraquecido pelas constantes tensões, crise econômica e inflação daí advindas. Neste caso, o distanciamento da China ‘do resto do pelotão’ em termos de crescimento econômico se acelerará mais ainda”, concluiu. (ANSA).