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Como funciona a eleição para presidente da Itália?

ROMA, 17 JAN (ANSA) – Daqui a exata uma semana, em 24 de janeiro, o Parlamento da Itália será convocado em sessão conjunta para iniciar a votação que definirá o próximo presidente da República.   

O atual dono do cargo, o jurista Sergio Mattarella, conclui seu mandato de sete anos no próximo dia 3 de fevereiro, e a expectativa é de que o colégio formado por 620 deputados, 321 senadores e 58 delegados das 20 regiões do país consiga nomear um substituto antes desse prazo.   


Para ser eleito, um candidato precisa obter dois terços dos 1009 votos (673), mas esse patamar vale apenas para os três primeiros escrutínios. Se o pleito chegar até a quarta votação, passa a ser necessária apenas a maioria simples (505).   

Essa diferença é uma maneira de incentivar os partidos a buscar um consenso o mais amplo possível, uma vez que o cargo de presidente da República tem um caráter mais institucional do que político, embora não seja meramente decorativo.   

Até hoje, a eleição mais longa foi a de Giovanni Leone, que precisou de 23 escrutínios em 1971 para chegar ao Palácio do Quirinale. Ele também é o recordista negativo de apoio, vitorioso com apenas 51% dos votos.   

Em 2022, devido à pandemia de Covid-19, será realizada no máximo uma votação por dia, e os eleitores serão chamados por faixa horária, seguindo sempre a mesma ordem: senadores vitalícios, senadores, deputados e delegados regionais.   

Eles serão convocados em grupos de 50 por vez e se dirigirão individualmente a quatro cabines um pouco maiores que as tradicionais para permitir a circulação do ar. Os votantes precisarão higienizar as mãos com álcool antes e depois de depositar sua cédula e usar máscara PFF2.   

Será permitida a presença de no máximo 200 votantes por vez no plenário da Câmara dos Deputados, onde acontece a eleição, e caberá a cada grupo parlamentar, de acordo com o tamanho da própria bancada, decidir quem ficará dentro da casa.   

Após a conclusão do procedimento eleitoral, os votos são lidos um a um pelo presidente da Câmara, cargo ocupado hoje por Roberto Fico, e o resultado é proclamado.   

No juramento do futuro presidente não haverá limite de público, porém os parlamentares terão de fazer um teste de antígeno para Covid no mesmo dia.   

No entanto, ainda há controvérsia sobre o que fazer com os eleitores que estiverem de quarentena por causa da Covid-19, enquanto o país vive uma onda de casos sem precedentes provocada pela variante Ômicron.   

Até o momento, a regra determina que quem não puder entrar na Câmara não vai votar, mas alguns partidos, especialmente do campo conservador, cobram alternativas, como o envio de funcionários públicos para retirar a cédula em domicílio.   

(ANSA).