A Justiça do Trabalho de Alagoas marcou para os dias 9 e 11 de julho o leilão de uma cobertura em Maceió, capital do estado, que pertence ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. O duplex de luxo é onde o ex-chefe do Executivo cumpre a prisão domiciliar pela condenação de 8 anos por corrupção e lavagem de dinheiro.
A decisão é resultado de um processo trabalhista de R$ 264 mil movido por uma ex-funcionária da TV Gazeta, da qual Collor é dono. O despacho colocando o imóvel à venda foi emitido no dia 10 de fevereiro.
O juiz responsável pelo caso permitiu que o ex-presidente apresente uma proposta de conciliação. A defesa de Collor, por outro lado, alega que a dívida foi paga dentro de um outro processo: a recuperação judicial pela qual a TV Gazeta atravessa desde 2019. Além disso, afirmou que, após condenação de Collor, a cobertura foi penhorada dentro do processo para garantir o pagamento, que teria sido feito apenas parcialmente.
Como é o imóvel?

Edifício no bairro da Jatiúca, em Maceió, onde Collor tem uma cobertura
Localizado em Jatiúca, bairro nobre da orla de Maceió, o apartamento é avaliado em R$ 7,6 milhões, segundo dados do cartório. No entanto, uma avaliação feita em 2024, em outro processo trabalhista, apontou que a residência valia R$ 9 milhões.
A cobertura duplex conta com uma área privativa total de 599 m², cinco vagas de garagem e vista privilegiada para o mar. O pavimento inferior tem uma adega, rouparia, galeria e varanda. Já o piso superior tem suíte, piscina, terraço, jardineira e bar.
Collor adquiriu o imóvel em 2006, e este foi omitido da declaração de bens entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2022, quando ele concorreu ao cargo de governador, mas acabou perdendo a disputa.
Prisão domiciliar de Collor
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu, no dia 1° de maio de 2025, a permissão para que o ex-presidente Fernando Collor cumpra sua pena em regime domiciliar.
O ex-chefe do Executivo deve permanecer na residência, usar tornozeleira eletrônica e só pode receber visitas de advogados, de médicos e da família. Moraes determinou a suspensão do passaporte de Collor. A PGR (Procuradoria-Geral da República) já havia se manifestado a favor da prisão domiciliar.
Em seu despacho, Moraes reconheceu que Collor está em tratamento da doença de Parkinson há cerca de seis anos, “com a constatação real da presença progressiva de graves sintomas não motores e motores, inclusive histórico de quedas recentes”.
“O descumprimento da prisão domiciliar humanitária ou de qualquer uma das medidas alternativas implicará a reconversão da domiciliar humanitária em prisão dentro de estabelecimento prisional”, alertou Moraes.