O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará, nesta sexta-feira, 30, uma cirurgia de remoção de catarata no olho esquerdo. O procedimento será realizado no Hospital Sírio-Libanês de Brasília.
A operação é considerada simples e não costuma demorar mais do que 10 minutos, o que significa que o mandatário deve receber alta ainda hoje. Durante a pandemia, Lula passou pelo mesmo procedimento oftalmológico, mas no olho direito.
Vale lembrar que esta não é a primeira visita que o petista faz ao médico desde que assumiu o poder pela terceira vez: em 2023, ele fez uma artroplastia no quadril para substituir uma articulação desgastada e, em 2024, precisou passar por craniotomia de urgência para drenar um coágulo no cérebro – resultado de uma queda no banheiro.
Na ocasião da cirurgia no quadril, Lula aproveitou a anestesia geral para também realizar um procedimento estético-médico nas pálpebras, que removeu excesso de pele e bolsas de gordura, amenizando a chamada “vista cansada”. Todos os processos correram positivamente e o mandatário apresentou bom quadro de recuperação pós-operatório.
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Entenda como funciona o procedimento
A catarata é uma condição ocular caracterizada pela perda gradual da transparência do cristalino, a lente natural do olho responsável por focar as imagens na retina. Com o avanço do quadro, a visão tende a ficar embaçada, opaca ou com menor nitidez, dificultando atividades cotidianas.
O médico residente de oftalmologia do Hospital Universitário da PUC-PR Lucas Filadelfo Meyer explicou à IstoÉ que o procedimento de remoção é realizado com auxílio de um microscópio oftalmológico e de um aparelho chamado facoemulsificador, utilizado para fragmentar e remover a catarata.
Em seguida, é implantada uma lente intraocular sintética, que passa a substituir a função do cristalino, especialmente na correção da visão para longa distância. Segundo o médico, há diferentes tipos de lentes disponíveis, e a escolha varia de acordo com a avaliação clínica e as necessidades do paciente.
Riscos
Apesar de ser considerada um procedimento comum e majoritariamente seguro, a cirurgia de catarata não é isenta de riscos. De acordo com Lucas Meyer, podem ocorrer complicações como infecções, hemorragias oculares e alterações em estruturas do olho – como a córnea – além de situações mais graves, como perfuração ocular ou desenvolvimento de glaucoma.
É importante que a ação médica seja criteriosa e atenta, já que mesmo com a taxa de sucesso, “todo procedimento cirúrgico pode trazer riscos”, pondera o especialista.
O procedimento costuma ser feito com anestesia local, associada a sedação leve, permitindo que o paciente permaneça consciente; a anestesia geral é reservada a situações particulares, como pacientes com múltiplas comorbidades ou alto grau de miopia.
Pós-operatório e recuperação
Segundo o médico, a duração da cirurgia de catarata pode variar conforme a experiência do cirurgião e eventuais complicações. Em condições habituais, o procedimento dura cerca de 10 minutos, sem considerar o tempo necessário para o preparo anestésico.
Após a cirurgia, a liberação costuma ser rápida – na maioria dos casos, o paciente recebe alta poucas horas depois do procedimento, exceto quando há alguma intercorrência cirúrgica ou relacionada à anestesia.
Meyer destaca que o período de recuperação exige cuidados específicos, considerados decisivos para o sucesso da cirurgia. Entre as orientações, estão evitar esforço físico, não carregar peso, não coçar os olhos e impedir o contato com vapor, calor excessivo ou qualquer corpo estranho.