Bolsonaro vai perder patente? Como condenados por golpe serão julgados pelo STM

Após condenação no STF, integrantes do 'núcleo 1' da trama golpista podem ser expulsos das Forças Armadas

Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ex-comandante da Marinha Almirante Almir Garnier Santos, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio, durante desfile cívico-militar do 7 de Setembro de 2022 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após serem condenados à prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o almirante Almir Garnier Santos e os generais Paulo Sérgio NogueiraAugusto Heleno e Walter Braga Netto poderão ser expulsos das Forças Armadas. O Ministério Público Militar confirmou à IstoÉ que pretende enviar nesta terça-feira, 3, os pedidos de perda de patente sob alegação de Indignidade para o Oficialato.

O ex-presidente e os demais militares foram sentenciados por uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Como a maioria dos condenados têm patentes, cabe apenas ao STM (Supremo Tribunal Militar) decidir sobre perda de posto e retirada de patente.

A Constituição Federal de 1988 determina que um oficial pode ser expulso das Forças Armadas quando é condenado a mais de dois anos de privação de liberdade ou mais. Caso o STM acate as representações, os sentenciados seriam os primeiros a perderem a insígnia militar por crimes contra a democracia.

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Patentes em risco

Segundo explicou o STM à IstoÉ, cabe ao Procurador-Geral da Justiça Militar apresentar as representações para que o Tribunal avalie se os militares condenados são indignos ou incompatíveis com o oficialato.

Essa representação funciona como a peça inicial do processo e dá início ao julgamento previsto na Constituição. No STM, o pedido é recebido, formalmente registrado e distribuído por sorteio a um relator e a um revisor. Uma vez distribuídas as representações, os militares têm prazo de dez dias para apresentar defesa por escrito. Caso a defesa não seja apresentada nesse período, um defensor público é designado pelo Tribunal.

Concluída essa fase, o relator prepara seu voto e, após a análise do processo pelo revisor, ambos têm direito à sustentação oral para justificar as emissões. Encerrado o julgamento e após o trânsito em julgado da decisão, o Tribunal comunica o resultado ao comandante da Força à qual o militar está vinculado.

Caso seja declarada a indignidade ou incompatibilidade com o oficialato, a cassação do posto e da patente torna-se automática e obrigatória.

Conforme o MPM, não há prazo para uma reposta do STM, mas esse tipo de julgamento dura em média seis meses. Cabe pontuar ainda que há possibilidade da representação não ser acolhida e os militares continuarem com as patentes, mesmo com a condenação no STF e os pedidos do Ministério Público.