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Como Ayrton Senna entrou para a categoria dos mitos

Como Ayrton Senna entrou para a categoria dos mitos

Ayrton Senna confere seus tempos, após treino oficial para o GP da Europa no circuito britânico de Donington, em 10 de abril de 1993 - AFP/Arquivos

Mais que um ídolo, um mito. Ayrton Senna é, 25 anos após sua morte, ocorrida em 1º de maio de 1994 no circuito italiano de Imola, uma verdadeira lenda da Fórmula 1.

“Acho que Ayrton não pertence ao grupo das celebridades. Está um passo acima. Está em uma categoria mítica que transcende o tempo e o espaço”, disse sua irmã Vivianne à AFP em 2014.

Perguntado cinco anos depois sobre o piloto que lhe “serviu como inspiração” quando era um menino, Lewis Hamilton reafirma essa ideia.

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“É um herói e continuará sendo para sempre”, avalia o pentacampeão do mundo britânico, que compartilha um certo misticismo com o brasileiro.

“Eu não conhecia bem sua personalidade, então o que eu mais gostava era mais o que ele representava, aquilo contra o que ele se opunha, e o que era capaz de fazer ao volante”, acrescentou.

Nascido em 21 de março de 1960 em São Paulo, Ayrton Senna da Silva disputou 161 Grandes Prêmios entre 1984 e 1994, com um balanço de três mundiais com a McLaren (1988, 1990 e 1991), 41 vitórias, 65 pole positions, 80 pódios e quase 3.000 voltas à frente nas corridas.

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É menos que Michael Schumacher (7 títulos), Hamilton e Juan Manuel Fangio (5), Alain Prost e Sebastian Vettel (4), mas o essencial está em outra parte.

– ‘Aura’ –

“O que me impressiona é até que ponto Senna ainda está presente. Não passa um Grande Prêmio sem que ele seja mencionado, ou apareça em um cartaz”, aponta o jornalista francês Lionel Froissart, próximo do piloto brasileiro.

“Isso diz muito sobre sua personalidade”, opina. “Faz parte desses personagens excepcionais tocados um pouco pela graça divina. Ele impunha de maneira natural uma distância, uma espécie de aura. Tínhamos a mesma idade, mas eu nunca teria dado um tapinha nas costas dele!”.

Seu jeito de ser, modesto e orgulhoso ao mesmo tempo, essa mistura de agressividade total na pista e de sensibilidade fora, ficou na memória.

“Era um piloto excepcional, com um encanto particular. A combinação destas duas qualidades fazia dele uma lenda já em vida”, aprofunda o austríaco Gerhard Berger, companheiro de equipe e amigo.

Sua rivalidade com “o professor” Alain Prost, com quem compartilhou os boxes na McLaren em 1988 e 1989 e depois o enfrentou até a aposentadoria do francês no final de 1993, os transformou em grandes celebridades, passando a ser conhecidos não só pelos aficionados do esporte.

– ‘Um bom ser humano’ –

“Vimos isso chegar aos grandes meios de comunicação, porque existia essa batalha humana entre dois pilotos de carisma, cultura e educação diferentes”, lembra Alain Prost.

“Eu ganhei muitas corridas e campeonatos sem ele, mas nossa história está completamente ligada”, confirma à AFP. “Depois da morte de Ayrton, eu diria que seus seguidores – claro que não todos, porque sempre há irredutíveis, mas a grande maioria -, se uniram a uma história comum, não ao Prost contra Senna”.

A morte ao vivo do brasileiro durante o Grande Prêmio de San Marino, último drama de um fim de semana já trágico (após um grave acidente de seu compatriota Rubens Barrichello na sexta-feira, e da morte do austríaco Roland Ratzenberger no sábado), provocou um grande impacto e acabou construindo sua lenda.

Era “um bom ser humano, com princípios e valores”, relembra Ron Dennis, seu chefe na McLaren. “Ele foi realmente bom o tempo todo que passou neste planeta. É duro encontrar um aspecto positivo no fato de que sofreu um acidente e perdeu a vida, mas isso também quer dizer que não assistimos a seu declínio”.

Depois de largar na pole position, Senna pilotava sua Williams-Renault quando se chocou contra o muro de cimento da curva de Tamburello na sétima volta. Eram 14h17, e ele tinha 34 anos.

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