A semana

Comissão sem ética

Crédito: Agência Senado

Em mais um capitulo do descaso com as questões públicas no Brasil, a Comissão de Ética da Presidência arquivou as denúncias feitas contra o secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, sem sequer abrir investigação. O esquema dele todos já sabem: Wajngarten recebe por meio de uma empresa de comunicação da qual é sócio majoritário, a FW Comunicação, dinheiro de empresas contratadas pelo própria secretaria — verba que ele mesmo controla. O que não se esperava era a total falta de ética da comissão que a leva no nome. A justificativa para que o chefe da Secom não seja investigado é a de que a Polícia Federal também conduz investigações a respeito, de caráter criminal. Nada mais do que um contrassenso, afinal o Planalto pode estar empregando um corrupto e não ter feito nada a respeito, apesar de todas as denúncias consistentes. Se é para esperar investigações da PF, para que serve a comissão? Seja qual for o resultado do inquérito que o atual secretário enfrenta, a ética passou longe de ser respeitada nesse caso.

TECNOLOGIA
Israelenses caem em golpe e são hackeados pelo Hamas

Divulgação

Anúncios de relacionamentos altamente suspeitos devem ser evitados por todos, mas no exército de Israel alguns caíram nesse conto. O grupo terrorista Hamas conseguiu hackear dezenas de soldados com a seguinte técnica: usar perfis falsos de garotas para conseguir a confiança dos militares, depois enviar um link para a troca de fotos. O endereço permitia que um malware fosse instalado nos celulares e que terroristas coletassem dados pessoais. O exército identificou o golpe, afirmou que o ataque foi interrompido e que nada de valioso vazou.

PRIMEIRA-DAMA
A destruição da biblioteca do Planalto

ABSURDO Segunda reforma para a construção de um gabinete para Michelle Bolsonaro: as obras serão pagas, é claro, com dinheiro público (Crédito:Divulgação)

Jair Bolsonaro não entende nada sobre atuação voluntária. Demonstrou isso ao dizer a jornalistas, antes de dar-lhes uma “banana”, que eles deveriam elogiar o que a sua esposa, Michelle, faz “para o bem de deficientes”, em vez de ficarem criticando o fato de parte da biblioteca do Palácio do Planalto ser desativada para abrigá-la em um gabinete. Quem é voluntário não quer e nem gosta de elogio. Mais: sabe que age dessa forma porque, em primeiro lugar, faz bem a si próprio — se esse comportamento fizer igualmente bem ao outro, tanto melhor. Mulheres de presidentes serem voluntárias não é nenhuma novidade: a primeira primeira-dama da República, Mariana Cecília de Souza Meirelles da Fonseca, esposa do Marechal Deodoro da Fonseca, já em 1890 cuidava de crianças pobres. E sem base física no palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.

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O que mais chama atenção atualmente é que o voluntariado de Michelle está saindo muito caro aos cofres públicos. Agora, ela ocupará quase metade da biblioteca do Palácio do Planalto, no Anexo I, junto à vice-Presidência. No ano passado, saíram do erário aproximadamente R$ 330 mil para reformar parte da Ala A do Ministério da Cidadania e nesse local acolhê-la. Convenhamos que para qualquer brasileiro que tenha o voluntariado na alma a realização de uma nova obra é no mínimo constrangedora (até a terça-feira 18, o governo não divulgara o quanto vai gastar dessa vez). O acervo reúne cerca de quarenta e dois mil itens e pelo menos três mil discursos de presidentes — foi criado na gestão de Wenceslau Brás, entre 1914 e 1918.

PATRIMÔNIO
Desculpa esfarrapada

Carolina Antunes/PR

A biblioteca do Planalto é decorada com tapeçaria de Emiliano Di Cavalcanti e três mapas antigos emoldurados: um do Brasil (sem data), outro da América do Sul (1645) e o terceiro mostrando a Capitania do Brasil (1656). Agora ficará tudo espremido e o espaço, apoucado. A Secretaria-Geral da Presidência informou que há 40% de vazio nas estantes e esse vácuo resolverá o problema. Não resolverá não, até porque um detalhe essencial foi esquecido: bibliotecas são dependências vivas, ou seja, o objetivo é que cresçam constantemente e para isso estavam reservados os tais 40%. Michelle quer coordenar o voluntariado brasileiro por meio do programa Pátria Voluntária. O correto seria trabalhar no Palácio da Alvorada. Salas não faltam.

 

 

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