Mundo

Comissão Europeia alerta para impacto do novo coronavírus na economia da Eurozona

Comissão Europeia alerta para impacto do novo coronavírus na economia da Eurozona

O Comissário Europeu para a Economia, Paolo Gentiloni, dá uma coletiva de imprensa sobre as previsões econômicas do inverno de 2020, na sede da UE em Bruxelas - AFP

A Comissão Europeia declarou, nesta quinta-feira (13), que o novo coronavírus representa um “novo risco” para a economia da Eurozona, mas não alterou a previsão de crescimento para 2020 e 2021, que permanece em 1,2%.

A União Europeia (UE) registrou 35 casos da doença, e Bruxelas fez um alerta para os riscos no abastecimento de remédios.

“O surto do coronavírus COVID-19, com suas implicações para a saúde pública, a atividade econômica e o comércio, sobretudo na China, é um novo risco para uma queda”, afirmou o Executivo da União Europeia (UE).

“É muito cedo, porém, para avaliar o alcance do impacto econômico negativo”, afirmou o comissário europeu de Economia, Paolo Gentiloni, ao apresentar as previsões semestrais da Comissão.

O Produto Interno Bruto (PIB) conjunto dos 19 países que compartilham o euro crescerá 1,2% em 2020 e 2021, estimativa inalterada em relação à previsão anterior e estável na comparação com a expansão de 2019, segundo as projeções.

Por país, a Espanha lidera o crescimento entre as principais economias. A Comissão elevou em um décimo a previsão de expansão em 2019, 2020 e 2021, a 2%, 1,6% e 1,5%, respectivamente.

Maior economia do bloco, a Alemanha também registra uma progressão nos três anos, a 0,4% (+0,2) no ano passado, e 1,1% (+0,1), tanto para 2020 como para 2021.

A expansão na França registraria resultados piores que em novembro de 2019 com 1,2% (-0,1) e 1,1% (-0,2) este ano, enquanto para 2021 Bruxelas prevê um crescimento inalterado de 1,2%.

“Apesar de um entorno difícil, a economia europeia mantém uma trajetória constante, com uma criação de empregos e um crescimento salarial contínuos”, disse o vice-presidente da Comissão, Valdis Dombrovskis.

O político letão advertiu, porém, para os “possíveis riscos, como um panorama geopolítico mais volátil unido às incertezas comerciais”, e defendeu reformas que impulsionem o crescimento.

O novo coronavírus matou até agora mais de 1.300 pessoas na China continental, onde foram registrados quase 60.000 casos de contágio. Na UE, foram 35 casos até o momento.

Os ministros europeus da Saúde defenderam nesta quinta-feira em Bruxelas uma coordenação maior entre os países do bloco, alertando para possíveis problemas com o fornecimento de remédios e equipamentos de proteção.

“A indústria farmacêutica da UE depende muito das importações de substâncias ativas da China”, disse a ministra finlandesa Krista Kiuru, para quem a continuidade da epidemia pode “ter um impacto no fornecimento de medicamentos”.

A comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, afirmou que uma compra conjunta de materiais de proteção pode ser organizada. Os 27 países também se comprometem a assumir um controle mais rigoroso sobre os passageiros que chegam ao bloco procedentes da China.

Na área econômica, Bruxelas está preocupada com uma perturbação da “cadeia de valor mundial”, em caso de maior propagação. A Alemanha ficaria, neste sentido, “especialmente exposta” a um impacto prolongado no comércio exterior.

Além do coronavírus, a “alta incerteza” sobre a política comercial dos Estados Unidos continua sendo um risco, apesar do acordo entre Washington e Pequim.

Entre outros fatores internacionais, Bruxelas também aponta “a insatisfação social na América Latina, que pode provocar o descarrilamento da recuperação econômica da região”, e as tensões no Oriente Médio.

Apesar do divórcio com o Reino Unido, a futura relação comercial entre Londres e Bruxelas também gera incerteza, mas as previsões são baseadas em um cenário sem alterações.

A Comissão aumentou as previsões de inflação em 2020 e 2021, a 1,3% (+0,1) e 1,4% (+0,1), pelo impacto dos salários mais elevados nos preços e a hipótese de alta no preço do petróleo.