A semana

Comissão da Verdade, dez anos depois

Crédito: Marlene Bergamo

UNIÃO Manifestação em São Paulo a favor da Comissão da Verdade e contrária aos militares: constante vigilância (Crédito: Marlene Bergamo)

Completou dez anos na semana passada a instituição no Brasil da Comissão da Verdade, responsável pela investigação dos crimes de sequestro, tortura, morte e desaparecimento cometidos pelos órgãos de repressão contra oponentes políticos ao longo da ditadura militar – o regime de exceção começou com o golpe de 1964 e estendeu-se por vinte e um anos. Tendo o Brasil, atualmente, o capitão Jair Bolsonaro como presidente e o general Hamilton Mourão como vice o trabalho da Comissão, que identificou quatrocentos e trinta e quatro vítimas fatais da ditadura e colheu mil cento e vinte depoimentos, está inevitavelmente ofuscado. Mais: encontra-se impossibilitado de gerar desdobramentos imprescindíveis à manutenção do Estado de Direito. A razão é simples: Bolsonaro e Mourão vivem a nostalgia dos tempos obscuros. Basta um exemplo: o presidente idolatra o já falecido coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe em São Paulo do DOI-Codi e acusado do crime de tortura. Não bastasse o capitão, o general Mourão declarou recentemente que Ustra foi um herói. Contestado imediatamente pela imprensa, acrescentou: “heróis também matam”. A qualificação de heroísmo para um torturador enxovalha todo o Exército. Dar choque elétrico nos órgãos sexuais de mulheres e homens, submeter tais presos a sessões de afogamento e pendurá-los no pau de arara são atos afeitos a psicopatas, não a heróis. E fazer tudo isso com quem está manietado é pura covardia. Estimavam-se inicialmente seis mil e dezesseis denúncias de tortura, mas hoje é sabido que foram mais de vinte mil casos. Recentemente, áudios da Justiça Militar, gravados na época, confirmaram relatos de tortura. Os parabéns pelo aniversário de uma década vão para a Comissão da Verdade; para os ditadores fica a execração da história.

Principais crimes da ditadura

Prisões ilegais

Sequestros

Tortura

Execuções

Ocultação de corpo

Nenhum heroísmo, general

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, declarou que o coronel Carlos Brilhante Ustra, acusado de tortura durante a ditadura militar, foi um herói. “Heróis também matam”, disse ele em entrevista à imprensa. É preciso lembrar o general que heróis não torturam nem assassinam que está manietado.

MEDICINA
Robô pioneiro

EVOLUÇÃO O cirurgião Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein, com o robô: tecnologia aliada à competência profissional (Crédito:Leonardo Rodrigues)

Deu-se na cidade de São Paulo um fato inédito no campo da medicina brasileira: a realização por um robô de uma cirurgia bariátrica. Ela foi feita no Hospital Santa Catarina, que passa agora a contar com esse equipamento de alta tecnologia. O robô foi doado pela Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, coordenadora da gestão do hospital, pertencente à rede municipal. A paciente operada era portadora de obesidade no grau dois – seu índice de massa corporal situa-se entre 35 e 35,9, sendo que acima de 40 a obesidade já é considerada grave. O robô será utilizado principalmente em cirurgias na área
de oncologia.

EUA
O ato falho de George W. Bush

TROPEÇO Bush: ao criticar a invasão da Ucrânia, trocou Ucrânia por Iraque, país que ele mesmo mandou invadir em 2003 (Crédito:Tom Pennington)

Ao discursar na semana passada em um evento na cidade norte-americana de Dallas, no Texas, o ex-presidente
dos EUA George W. Bush, até hoje uma das mais respeitadas vozes conservadoras no Partido Republicano, acabou rindo de si próprio. Bush começou a criticar o sistema político da Rússia e o presidente do país, Vladimir Putin. A certa altura de sua fala, ao censurar a invasão da Ucrânia, ele disse: “(…) é a decisão, é a determinação, de um único homem, de promover uma invasão totalmente injustificada e brutal no Iraque”. Grande ato falho: Bush trocou Ucrânia por Iraque, mas quem ordenou a descabida invasão do Iraque, em 2003, foi ele mesmo, no comando da Casa Branca (presidiu os EUA no período que abrange de 2001 a 2009). A justificativa, na época, foi a de que o governo iraquiano possuía armas de destruição em massa – tais armamentos, aliás, nunca foram localizados. Bush, quando percebeu a sua trapalhada com as palavras, não se constrangeu. Limitou-se a brincar: “é a idade que me fez errar”. Ele está com 76 anos. O seu pronunciamento se deu na sede da Fundação Bush Center, criada para a formação de líderes conservadores.