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Comissão Baleeira Internacional realiza sua 67a. reunião no Brasil

Comissão Baleeira Internacional realiza sua 67a. reunião no Brasil

Uma baleia salta para a superfície do oceano Pacífico, no Parque Nacional Natural Uramba Bahia Málaga - AFP/Arquivos

As nações pró e contra a caça de baleias se confrontam a partir desta segunda-feira em Florianópolis durante a 67a. reunião da Comissão Baleeira Internacional (IWC), em meio à indignação com a proposta do Japão de encerrar uma moratória de três décadas sobre a caça comercial desses cetáceos.

O novo presidente da CBI, o japonês Joji Morishita, acredita que esta reunião pode ser decisiva para o futuro desta organização, composta por 89 países membros, profundamente dividida entre partidários (Japão, Noruega, Islândia e seus aliados) e adversários da caça aos cetáceos.

Morishita afirmou à AFP que deseja “mudar o modelo, para passar de uma rejeição mútua para o respeito mútuo”.

“Nosso desafio nesta reunião é saber se podemos conciliar as duas posições diferentes ou encontrar uma maneira de concordar ou discordar olhando para o futuro, em vez de gastar nosso tempo discutindo”, disse antes da abertura da sessão em Florianópolis.

No entanto, como em cada sessão da CBI, o único órgão de gestão de grandes cetáceos, os debates se anunciam acirrados entre os dois campos.

“Esta reunião promete ser crucial”, estimou Patrick Ramage, do Fundo Internacional para a Proteção dos Animais (Ifaw).

O Japão é signatário da moratória da CBI sobre a caça de baleias, que data de 1986, mas alega praticá-la para pesquisas, perto de suas costas no Pacífico e na Antártida, embora grande parte da carne seja então vendida no mercado.

A Noruega e a Islândia são os únicos países do mundo a praticar abertamente a caça comercial de baleiais. Tóquio, por sua vez, tenta provar que a população de baleias é grande o suficiente para suportar a caça comercial.

Enquanto as imensas nuvens de água do sopro das baleias são visíveis das janelas dos quartos de hotéis dos delegados, na baía de Florianópolis, o Brasil e o Japão apresentarão dois textos diametralmente opostos.

– Poluição sonora –

O documento preparado pelos japoneses propõe a criação de um “comitê de caça de baleias sustentável” para os países que desejarem se engajar nessa atividade para fins comerciais.

As nações protetoras dos cetáceos, como a União Europeia, Austrália e Nova Zelândia, estão determinadas a impedir tal texto.

Por sua vez, o Brasil tenta unir os países contrários à caça na “declaração de Florianópolis”, que considera que esta atividade não é mais justificada economicamente, dado que o consumo de carne de baleia diminuiu consideravelmente.

Parar a caça também permitiria que a população de cetáceos em todo o mundo retornasse a níveis equivalentes à era pré-industrial.

O país anfitrião também quer estender a área de proteção de baleias, atualmente limitada aos oceanos Índico e Antártico, a todo o Atlântico Sul.

“A proposta do Japão é problemática do ponto de vista processual e levaria a Comissão Baleeira Internacional de volta a uma época em que presidia insuportáveis operações de caça”, reagiu Leigh Henry, do World Wildlife Fund (WWF).

A poluição sonora submarina, choques com navios, mudanças climáticas estão entre as principais questões a serem abordadas durante esta semana no Brasil. A reunião da CBI é realizada até sexta-feira.

As decisões são adotadas por uma maioria de três quartos, mas o Japão está pressionando por uma mudança de regra, o que permitiria uma votação por maioria simples.

O consumo de carne de baleia tem uma longa história no arquipélago japonês, um país de pesca onde os cetáceos são caçados há séculos.

A indústria baleeira floresceu após a Segunda Guerra Mundial, trazendo proteína animal para os habitantes do país.