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Começa o julgamento de duas freiras em caso de abuso de crianças surdas na Argentina

Começa o julgamento de duas freiras em caso de abuso de crianças surdas na Argentina

Escultura do artista Jacques Tilly na Catedral de Colônia traz o slogan "11 anos de investigação implacável dos casos de abuso!" - AFP


O julgamento contra duas freiras e outras sete mulheres acusadas em um caso de abuso sexual de crianças surdas em um internato na Argentina começou nesta segunda-feira (3), depois de ser adiado devido ao isolamento por covid-19 de uma das acusadas.

O julgamento acontece de forma semipresencial na cidade de Mendoza, sem acesso da imprensa. Nenhuma das acusadas foi pessoalmente ao tribunal, mas participaram remotamente, indicaram fontes judiciais.

Este é o segundo processo em um caso que abalou o país natal do papa Francisco. Em 2019, dois padres católicos foram condenados a mais de 40 anos de prisão por abuso e estupro de crianças com entre 4 e 17 anos, cometidos entre 2004 e 2006, no Instituto Próvolo de Mendoza.

As acusadas de encobrir tais crimes são as freiras japonesas Kumiko Kosaka (46 anos) e a paraguaia Asunción Martínez (53), além da representante legal de Próvolo, uma psicóloga, uma cozinheira e quatro diretoras da instituição.

Kosaka enfrenta acusações de abuso sexual agravado, corrupção de menores e participante principal por omissão. Ela é a única em prisão domiciliar preventiva.


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As demais são acusadas de corrupção de menores e participação por omissão.

Carlos Varela Álvarez, defensor das duas freiras, considerou que “há, sem dúvida, sentença condenatória midiática e social”, em nota pública divulgada esta segunda-feira.

“Sobre elas, especialmente sobre Kumiko Kosaka, que está detida há quatro anos sem sentença, tudo já foi dito”, disse ele, questionando o trabalho dos intérpretes da promotoria que traduziram as declarações de menores abusados em linguagem de sinais.

Estima-se que o processo dure cerca de seis meses e contará com mais de cem testemunhas.

– “Famílias na expectativa –

“As famílias estão na expectativa, é como se se abrisse um portal que possibilita muitas lembranças, uma tristeza infinita porque nada vai nos devolver tudo o que nos roubaram”, disse à AFP Erica Labeguerie, irmã de Claudia, uma das vítimas, hoje com 27 anos e mãe de um filho.

Os demandantes e suas famílias esperam “que a justiça esteja à altura das circunstâncias, como esteve em 2019, porque sem essas pessoas nada teria sido possível”, afirmou.

Em novembro de 2019, foram condenados por abuso sexual e estupro de menores o padre argentino Horacio Corbacho, a 45 anos de prisão, e o italiano Nicola Corradi, a 42 anos.

Ariel Lizarraga, pai de Daiana, a primeira denunciante, agora com 29 anos, afirmou que “os fatos existiram, estão provados”.

“Elas encobriram tudo, as proibiam de aprender a língua de sinais para que ninguém soubesse”, lamentou.

“Foi um complô muito grande e sustentado na época em que começou na Itália. A Igreja sempre se dedicou a encobrir, a esconder”, disse Lizarraga.

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