Começa evacuação de passageiros em navio epicentro de surto de hantavírus

O desembarque na principal cidade das Ilhas Canárias teve início às 9h30 (horário local), e os viajantes estão sendo levados diretamente para voos de repatriação

O cruzeiro MV Hondius ancorado em frente à cidade de Praia, capital de Cabo Verde, após um surto de hantavírus a bordo - AFP

Começou neste domingo, 10, em Tenerife, na Espanha, a operação de evacuação dos passageiros a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, epicentro de um surto de hantavírus que já contabiliza pelo menos oito casos e três óbitos.

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O desembarque na principal cidade das Ilhas Canárias teve início às 9h30 (horário local), e os viajantes estão sendo levados diretamente para voos de repatriação a seus países de origem, sem contato com a população local e utilizando ônibus selados e escoltados.

A primeira aeronave decolou de Tenerife para Madri com 14 cidadãos da Espanha, que depois foram transferidos para realizar quarentena em um hospital militar. “O mecanismo está funcionando com toda a normalidade e em absoluta segurança”, disse a ministra espanhola da Saúde, Mónica García.

Além disso, cinco franceses foram repatriados pouco depois, sendo que um deles apresentou sintomas a bordo do avião durante o voo, de acordo com o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu. Todos ficarão em isolamento até segunda ordem, já que o tempo de incubação do hantavírus pode chegar a seis semanas.

O último voo de repatriação deve partir de Tenerife nesta segunda-feira (11), com destino à Austrália.

O MV Hondius tinha pouco menos de 150 pessoas a bordo, e apenas 30 tripulantes ficarão no navio para levá-lo até a Holanda, país de bandeira da embarcação e onde será feita a operação de desinfecção do cruzeiro.

Quando o navio estava se aproximando de Tenerife, o governador das Canárias, Fernando Clavijo, tentou impedir a ancoragem, mas o governo espanhol manteve a operação de evacuação no arquipélago. Apesar da polêmica, o papa Leão XIV, que visitará as ilhas em junho, elogiou a população local pela “hospitalidade” aos passageiros do MV Hondius, em mensagem pronunciada neste domingo.

Já o premiê Pedro Sánchez assegurou que “o governo espanhol está fazendo o que precisa, com rigor técnico e científico e absoluta transparência, com lealdade institucional e cooperação internacional”.

O surto – O hantavírus é um patógeno transmitido sobretudo pelo contato com aerossóis formados a partir de secreções de roedores silvestres e é endêmico na Argentina, país onde o MV Hondius havia iniciado sua travessia transatlântica, em Ushuaia.

O vírus causa uma doença rara e letal, para a qual não existem tratamentos específicos ou vacinas. O contágio entre pessoas é incomum, mas pode acontecer no subtipo Andes, que está associado ao surto no MV Hondius, e a Organização Mundial da Saúde acredita que a primeira infecção ocorreu ainda na Argentina.

Os sintomas iniciais da hantavirose incluem fadiga, febre, dores musculares e de cabeça, tonturas e calafrios, e os casos mais graves podem registrar síndromes cardiopulmonares agudas, insuficiência renal e febre hemorrágica. (ANSA).