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Combates se intensificam em Karabakh, onde pedidos de trégua aumentam

Combates se intensificam em Karabakh, onde pedidos de trégua aumentam

Idosa refugiada em abrigo em Stepanakert, Arzebaijão, em 28 de setembro de 2020 - AFP

Armênios e azerbaijanos continuavam surdos, nesta quinta-feira (1), aos pedidos de trégua, trocando tiros e alegando infligir consideráveis perdas humanas e materiais em Nagorno Karabakh, um território separatista do Azerbaijão apoiado por Yerevan.

Nesta quinta-feira, os presidentes da França, dos Estados Unidos e da Rússia clamaram em conjunto por um cessar-fogo “imediato” em Karabakh, palco de violentos combates desde domingo.

“Pedimos o fim imediato das hostilidades”, exortou Emmanuel Macron, Donald Trump e Vladimir Putin, em uma declaração publicada pela Presidência francesa, na qual também exortam os líderes da Armênia e do Azerbaijão “a se comprometerem sem demora a retomar as negociações”.

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Em Stepanakert, a capital da autoproclamada república de Nagorno Karabakh, a situação estava calma pela manhã, apesar da grande presença policial.

Duas explosões ocorreram durante a madrugada, enquanto a cidade mergulhava na escuridão a noite toda para dificultar a visão dos drones azerbaijanos que atingiram a cidade no domingo.

No quinto dia de confrontos, nenhum lado parece estar em vantagem, mas “os combates se intensificaram”, disse o porta-voz do ministério da Defesa armênio, Artstroun Hovhannissian, garantindo: “o inimigo sofreu enormes perdas”.

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As forças do Azerbaijão, que há vários dias afirmam ter assumido posições armênias mantidas por mais de 30 anos, fizeram declarações semelhantes e garantiram que os combatentes separatistas teriam que “retirar-se das posições que ocupavam na linha de frente”.

Nagorny Karabakh, habitada principalmente por armênios, separou-se do Azerbaijão, levando a uma guerra no início da década de 1990 que deixou 30.000 mortos. A frente estava quase congelada desde então, apesar de alguns confrontos regulares, especialmente em 2016.

– “Disparos de artilharia devastadores” –

Segundo o porta-voz armênio, cerca de 350 soldados azerbaijanos morreram, 15 veículos blindados foram destruídos e três helicópteros foram abatidos, um dos quais caiu no Irã.

O ministério da Defesa do Azerbaijão negou esta última alegação, citando uma “mentira”. Ele indicou “que durante toda a noite disparos de artilharia devastadores tiveram como alvo as forças armênias”.

O exército de Karabakh afirma ter impedido o Azerbaijão “de reagrupar suas tropas”.

Desde o início das hostilidades no domingo, apenas balanços parciais foram comunicados, relatando um total de 128 mortos. Do lado armênio, 104 soldados e 8 civis foram declarados mortos. Baku recusa-se a comunicar balanços militares, mas anunciou a morte de 16 civis.

Ambos os lados afirmam ter infligido centenas de perdas humanas ao outro e transmitem vídeos nesse sentido, como o da quarta-feira de um drone azerbaijano atingindo um porta-aviões blindado carregando soldados, ou um armênio mostrando muitos corpos enfileirados em uniformes adversários.

Os pedidos de trégua se multiplicam, mas o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, e o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinian, reafirmaram a determinação em continuar os combates.

Nesta quinta-feira, este último garantiu no Facebook que Nagorno Karabakh combatia o “terrorismo internacional”. “A comunidade internacional agora afirmou claramente que o tandem turco-azerbaijano trava uma guerra contra a Armênia e Karabakh com a ajuda de mercenários terroristas”, acrescentou.

A Rússia, potência regional que mantém relações cordiais com as duas ex-repúblicas soviéticas, manifestou preocupação com o papel da Turquia, concorrente geopolítico, mas com quem mantém relações pragmáticas.

– Guerra longa –

Moscou criticou Ancara por “colocar lenha na fogueira” ao encorajar Baku em sua ofensiva.

E na quarta-feira à noite, sem apontar o dedo diretamente para a Turquia, a diplomacia russa disse estar “muito preocupada” com a implantação no conflito de Karabakh de “terroristas e mercenários estrangeiros” da “Síria e da Líbia”, duas áreas onde Ancara atua militarmente com seus aliados locais.

Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país é o principal aliado do Azerbaijão, disse nesta quinta-feira que um cessar-fogo em Nagorno Karabakh exige a retirada das forças armênias deste enclave separatista.

“Um cessar-fogo duradouro nesta região depende da retirada dos armênios de todo o território do Azerbaijão”, afirmou Erdogan durante um discurso no parlamento.

A interferência militar de Ancara não foi estabelecida, com apenas a Armênia reivindicando-a até agora, acusando a Turquia de ter implantado seus aviões F-16, de fornecer pilotos de drones e especialistas militares.

Uma intervenção militar direta turca constituiria um importante ponto de inflexão e uma internacionalização do conflito, um possível cenário de catástrofe, em uma região onde muitas potências estão em competição.

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