Combates entre o regime e jihadistas deixam 101 mortos na Síria

Combates entre o regime e jihadistas deixam 101 mortos na Síria

Pelo menos 101 combatentes morreram nas últimas 24 horas em confrontos entre forças do regime sírio e grupos jihadistas e rebeldes islâmicos perto da província de Idlib, noroeste da Síria, informou uma ONG nesta sexta-feira.

Desde quinta-feira, pelo menos 53 combatentes pró-regime e 48 jihadistas ou rebeldes, morreram nos confrontos, que foram acompanhados por ataques aéreos do exército sírio e de seu aliado russo, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

“São os combates mais violentos desde o início da escalada na região”, ressaltou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Os combates seguiram um contra-ataque lançado pelos jihadistas e rebeldes islâmicos no noroeste da província de Hama, vizinha de Idlib.

Como resultado desse ataque, jihadistas e rebeldes assumiram o controle de dois vilarejos, Tal Maleh e Jibine, de acordo com o OSDH.

Os jihadistas da Hayat Tahrir al-Sham (HRT, ex-facção síria da Al-Qaeda), mas também os da Huras al-Din, pequeno grupo ligado à Al-Qaeda, ou do Partido Islâmico do Turquestão, participaram da contra-ataque, de acordo com o OSDH.

“Os combates continuam e são acompanhados por ataques aéreos do regime e da Rússia”, disse o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman. Eles acontecem perto de “regiões cristãs e alauitas sob o controle do regime”.

Desde o final de abril, o regime sírio apoiado pela aviação russa, bombardeia quase diariamente a província de Idlib, dominado pela HRT, e territórios adjacentes sob controle jihadista nas regiões de Hama, Aleppo e Latakia.

Embora o regime não tenha anunciado uma ofensiva contra a HTS, tem travado combates no terreno há semanas.

Por sua vez, a agência oficial de notícias Sana afirmou que “unidades do Exército responderam com força aos grupos de terroristas”, indicando que essas unidades “recuperaram algumas posições” após os combates.

Além disso, na madrugada desta sexta-feira, duas crianças morreram nos ataques aéreos ou por tiros de artilharia em Idlib, segundo o OSDH.

Mais de 300 civis foram mortos desde o final de abril, segundo o OSDH. Pelo menos 24 hospitais e clínicas, além de 35 escolas, foram atingidos por bombardeios, segundo a ONU. Mais de 270.000 pessoas foram deslocadas.

A escalada em Idlib é a pior desde que Moscou e Ancara, que apoia alguns grupos rebeldes, anunciaram em setembro de 2018 um acordo sobre uma “zona desmilitarizada” para separar os territórios jihadistas e insurgentes das zonas adjacentes do governo.

Este acordo, que deveria salvar a província de uma grande ofensiva do regime, foi apenas parcialmente implementado por causa da recusa dos jihadistas em se retirarem da zona tampão.

Desencadeado em 2011 pela repressão de manifestações, o conflito na Síria já causou mais de 370.000 mortos.